- BlackRock vendeu cerca de US$ 1,01 bilhão em Bitcoin na última semana
- ETFs spot de BTC nos EUA registraram saída de US$ 1,26 bilhão
- Gestora segue avançando em fundos tokenizados via Securitize na SEC
A BlackRock liderou o pior fluxo semanal de saída dos ETFs spot de Bitcoin em 2026. Dados da Arkham Intelligence apontam vendas próximas de US$ 1,01 bilhão em BTC ligadas à gestora ao longo da semana passada, com operações em todos os pregões.
O movimento coincide com saídas líquidas de aproximadamente US$ 1,26 bilhão em todo o mercado de ETFs spot americanos o que indica que a BlackRock respondeu por quase a totalidade do capital que deixou o setor. Foi a maior redução semanal da gestora desde novembro de 2025.
Durante o ciclo de vendas, o Bitcoin furou suportes técnicos relevantes e chegou a operar abaixo de US$ 76 mil, antes de se estabilizar perto de US$ 77.443. Altcoins acompanharam a pressão, Ethereum recuou para a casa dos US$ 2.100 e XRP voltou a flertar com US$ 1,36.
Por que as instituições recuaram
Analistas atribuem a debandada a um posicionamento defensivo diante da deterioração do apetite por risco. Métricas de derivativos reforçam o diagnóstico. CoinGlass e SoSoValue mostram open interest mais fraco e funding rates oscilantes em torno das grandes oscilações de preço.
O cenário macro pesa. A virada veio depois de declarações do diretor do Fed Christopher Waller abrindo espaço para alta de juros, tema que o BitNotícias detalhou em análise sobre Bitcoin e o Fed. Com Treasuries de 10 anos rondando 5%, o custo de oportunidade de carregar ativos sem rendimento explica parte da rotação.
A leitura local também ajuda a entender o movimento. No Brasil, o real desvalorizado amplifica a queda do BTC para o investidor doméstico quem comprou a cota do IBIT via BDR ou ETFs locais como QBTC11 vê perdas dobradas pela combinação cambial. Em exchanges brasileiras, o volume em pares BTC/BRL caiu nas últimas sessões, sinal de que o varejo nacional também adotou postura de espera. O padrão se assemelha ao observado em abril de 2024, quando saídas concentradas em poucos dias precederam uma correção de 18% no preço à vista.
Estratégia da BlackRock além do Bitcoin
Apesar do corte de exposição, a gestora não recuou da pauta cripto como um todo. A BlackRock protocolou um segundo fundo tokenizado junto à SEC, usando novamente a infraestrutura da Securitize. O movimento amplia a frente aberta com o BUIDL, fundo tokenizado de Treasuries lançado em março de 2024.
O BUIDL acumula cerca de US$ 2,3 bilhões em ativos sob gestão e segue como o maior fundo tokenizado de títulos do Tesouro americano. Securitize, registrada como transfer agent e broker-dealer junto ao regulador, fornece a camada de compliance e emissão dos tokens. A leitura é direta, a gestora retira ficha do BTC à vista, mas dobra a aposta em ativos do mundo real on-chain.
Concorrentes seguem a mesma rota. Franklin Templeton, Fidelity e State Street também avançam em produtos tokenizados, em meio à tramitação do CLARITY Act, que passou pelo Comitê Bancário do Senado em votação bipartidária. O texto pode redefinir a jurisdição entre SEC e CFTC sobre ativos tokenizados.
O que observar nos próximos dias
O próximo gatilho é a divulgação de dados macro nos EUA, que deve mexer com expectativas de juros e, por consequência, com o fluxo dos ETFs. A coluna do BitNotícias sobre a agenda macro do Bitcoin mapeia os indicadores em jogo.
Outro ponto sensível é o comportamento do IBIT especificamente. A cota do produto da BlackRock funciona como termômetro de demanda institucional americana. Se as saídas persistirem por mais uma semana, o cenário base entre traders passa a contemplar nova perna de queda do BTC rumo a US$ 74 mil, faixa onde se concentra um cluster de liquidações em derivativos rastreado por desks de Hong Kong e Cingapura.
