- BlackRock pede registro de dois fundos tokenizados voltados a emissores de stablecoin
- Ethereum recebe o BSTBL e XRP Ledger fica fora da lista inicial
- RWAs no XRPL avançam 47% em 30 dias e somam US$ 3,5 bilhões
A maior gestora de ativos do mundo voltou a escolher a Ethereum como trilho principal para novos produtos tokenizados. A BlackRock, que administra mais de US$ 11 trilhões, protocolou junto à SEC dois fundos do mercado monetário em formato tokenizado, e o XRP Ledger (XRPL) ficou de fora da lista inicial divulgada nos documentos.
A informação foi antecipada pela Bloomberg e confirma uma tendência: apesar do crescimento do XRPL em ativos do mundo real, a gestora segue concentrando seus lançamentos institucionais na rede de smart contracts liderada por Vitalik Buterin.
O que são os dois fundos anunciados
O primeiro produto é uma versão tokenizada do BlackRock Select Treasury-Based Liquidity Fund (BSTBL), que será emitido diretamente na Ethereum. A carteira aplica em caixa, T-Bills, notas e títulos do Tesouro americano com vencimento em até 93 dias — exatamente o perfil exigido pelas reservas de emissores de stablecoin.
O segundo veículo, batizado de BlackRock Daily Reinvestment Stablecoin Reserve Vehicle (BRSRV), será multichain. A gestora, porém, não confirmou se o XRPL entrará nessa lista. O alvo é o mesmo: emissores de stablecoin e detentores que preferem autocustódia em vez de deixar dólares parados em exchanges.
Os dois produtos se somam ao BUIDL, fundo tokenizado de Treasuries lançado em 2024 e que já circula em várias blockchains. Mesmo com o BUIDL espalhado por diferentes redes, a BlackRock nunca expandiu o produto para o XRP Ledger — ainda que a RLUSD, stablecoin da Ripple, funcione como rampa de saída do fundo.
Por que isso pesa no debate do ETF de XRP
Assim, a escolha reacende uma discussão recorrente entre traders de XRP: a falta de simpatia da BlackRock pela rede da Ripple. A gestora não mostrou intenção de protocolar um ETF spot de XRP, e o analista James Seyffart, da Bloomberg Intelligence, descartou o registro no curto prazo. Para ele, é mais provável um fundo ativo de índice cripto — que poderia, no máximo, incluir XRP como um dos componentes.
Esse pano de fundo contrasta com o apetite recente do varejo. Os ETFs de XRP nos EUA registraram a maior entrada diária desde janeiro, com US$ 25,8 milhões em fluxo líquido. A demanda existe, mas vem de gestoras menores, não da BlackRock.
XRPL cresce em RWA mesmo sem BlackRock
A rejeição da BlackRock não trava o avanço do XRPL no segmento de ativos tokenizados. Dados da RWA.xyz mostram que o valor total de RWAs na rede subiu quase 47% em 30 dias, alcançando US$ 3,5 bilhões. No mesmo intervalo, a Ethereum recuou 4% nessa métrica, para US$ 16,8 bilhões — ainda dominante, porém com a primeira contração relevante do ano.
Além disso, o volume negociado de Treasuries tokenizados no XRPL ultrapassou US$ 352 milhões em 2026, cinco vezes os US$ 70 milhões do ano anterior. A Ondo Finance e a Ripple liquidaram a primeira operação cross-border de Treasury tokenizado pela rede, usando o fundo OUSG da Ondo.
O que muda para o investidor brasileiro
No Brasil, a divisão entre Ethereum e XRPL tem efeito prático sobre quem opera ETFs negociados na B3 e BDRs de produtos americanos. A preferência da BlackRock por Ethereum tende a concentrar liquidez institucional na rede — algo que já se reflete nas teses defendidas por gestoras locais como Hashdex e QR. Para emissores brasileiros de stablecoin lastreada em real, a escolha do trilho influencia custo de auditoria e compatibilidade com fundos globais.
O XRP, por sua vez, negocia perto de US$ 1,46, com leve alta nas últimas 24 horas. Traders que acompanham a configuração técnica do ativo apontam US$ 1,50 como gatilho para teste de US$ 2. A narrativa de que o token precisa de chancela da BlackRock para subir, porém, perde força à medida que o XRPL constrói tração própria em RWA — mesmo sem o selo da maior gestora do planeta.
