CPI dos EUA vem acima do esperado e abala apostas em corte do Fed

  • CPI cheio dos EUA subiu 3,8% em abril, acima dos 3,7% projetados pelo mercado
  • Núcleo do CPI acelerou para 2,8% e reforça cenário de juros altos por mais tempo
  • Bitcoin oscila e operadores reduzem apostas em corte de juros do Fed em junho

A inflação ao consumidor nos Estados Unidos veio acima do esperado em abril e jogou um balde de água fria nas apostas de que o Federal Reserve cortaria juros no curto prazo. O dado mexeu com o mercado cripto e reabriu o debate sobre quanto tempo o ciclo de aperto monetário ainda vai durar.

O CPI cheio avançou 3,8% na comparação anual, contra projeção de 3,7% do consenso de Wall Street. Já o núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, subiu 2,8% ante 2,7% esperados. Na variação mensal, o número-cheio veio em linha, em 0,6%, mas o núcleo surpreendeu com 0,4%.

Reação imediata do Bitcoin

O Bitcoin oscilou nos minutos seguintes à divulgação. A criptomoeda chegou a subir após os yields dos Treasuries de 10 anos recuarem, num movimento contraintuitivo: parte dos operadores leu o dado como teto para os juros longos, ainda que o Fed tenha menos espaço para afrouxar.

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Antes do número sair, a ferramenta CME FedWatch precificava 97,6% de probabilidade de o Fed manter as taxas na reunião de junho. Depois do CPI, esse cenário ficou ainda mais cristalizado. A leitura quente tende a empurrar o primeiro corte para o segundo semestre, alinhando-se à revisão do Goldman Sachs, que já vê alívio monetário só em dezembro de 2026.

Probabilidades de corte da taxa de juros do Fed. Fonte: Ferramenta CME FedWatch.

Bancos como JPMorgan, Deutsche Bank e UBS já vinham sinalizando que a combinação de gasolina mais cara, custos de moradia persistentes e tensões geopolíticas tornaria difícil uma leitura branda. O componente de energia foi, de fato, o maior responsável pelo desvio.

Previsões do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) dos EUA pelos bancos de Wall Street antes da divulgação em 12 de maio.

Por que o núcleo importa mais

Embora o título da manchete fique com o número cheio, é o núcleo que orienta a decisão do Fed. A aceleração para 2,8% indica que pressões de preços seguem espalhadas pela economia, sobretudo no setor de serviços e habitação o famoso “shelter” que insiste em não ceder.

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Inflação de núcleo persistente significa juros reais altos por mais tempo. Isso fortalece o dólar, mantém os yields elevados e drena liquidez de ativos de risco. Bitcoin, ações de tecnologia e altcoins funcionam como termômetro desse aperto, quando o custo do dinheiro sobe, o apetite por aposta especulativa encolhe.

O que isso significa para o investidor brasileiro

Para quem opera cripto no Brasil, o efeito chega por duas pontas. A primeira é o câmbio: dólar forte tende a pressionar o real, encarecendo a entrada em ativos dolarizados e impactando o preço do BTC em reais nas exchanges locais. A segunda é o fluxo institucional nos ETFs nos EUA, motor de boa parte do bull market recente, sofrem quando a curva de juros americana se inclina para cima.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central também monitora o CPI americano. Um Fed travado em juros altos limita o espaço do Copom para flexibilizar a Selic sem disparar pressão cambial. Na prática, juros altos lá fora ajudam a manter juros altos por aqui, o que historicamente reduz a alocação de capital de varejo brasileiro em ativos de risco como criptomoedas.

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Próximos gatilhos do mercado

A atenção agora se volta para o PPI (índice de preços ao produtor), discursos de dirigentes do Fed e o comportamento dos Treasuries nos próximos pregões. Operadores também acompanham se o BTC consegue defender suportes acima de US$ 80 mil, faixa que já foi testada na semana passada e descrita como crítica pelo teste da SMA de 200 dias.

Caso a inflação americana siga surpreendendo para cima nos próximos meses, o cenário de volatilidade prolongada ganha tração. O risco de uma correção mais profunda no Bitcoin, já discutido por analistas que projetam testes em US$ 70 mil, volta ao radar. Os dados completos do relatório estão disponíveis na página oficial do Bureau of Labor Statistics.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.