- Grayscale projeta convergência entre Bitcoin e ações se Fed segurar juros
- Ações sobem 9% desde fevereiro, Bitcoin sobe 1% e ouro sobe 1%
- Expectativa de juros do Fed em 1 ano subiu 60 pontos-base
A Grayscale Investments atribuiu o desempenho recente do grayscale bitcoin frente às ações americanas a uma reprecificação das expectativas para a política monetária do Federal Reserve. Em relatório publicado nesta segunda-feira (22), a gestora de criptoativos defendeu que o BTC pode recuperar terreno caso a autoridade monetária dos Estados Unidos evite novas altas de juros nos próximos meses.
O cenário traçado pela casa contrasta com a leitura de outros bancos. O Bank of America projeta três altas adicionais na taxa básica até novembro e enxerga pressão baixista sobre o Bitcoin justamente nesse vetor. O ativo é negociado a US$ 64.277, ou R$ 331.256, com leve alta de 0,9% nas últimas 24 horas.
Ações sobem 9%, Bitcoin cai 1% e ouro recua 20%
Desde o início da guerra do Irã, no fim de fevereiro, as ações americanas acumulam ganho de 9%, sustentadas por gastos contínuos em infraestrutura de inteligência artificial. No mesmo período, o Bitcoin registra alta de 1% e o ouro subiu 1%, abrindo um dos maiores descolamentos entre ativos macro relevantes nos últimos anos.
Zach Pandl, head de pesquisa da Grayscale, afirmou que o cenário-base da gestora aponta para um Fed parado nas próximas reuniões.
“Se estivermos certos, o preço do Bitcoin pode alcançar o desempenho das ações”, escreveu o executivo no documento.
O pano de fundo, porém, virou nas últimas semanas. A expectativa de juros do Fed para o horizonte de 12 meses subiu cerca de 60 pontos-base desde o fim de fevereiro, e quase metade dos dirigentes do BC americano sinaliza que novas altas podem ser apropriadas em 2026. O Comitê Federal de Mercado Aberto manteve a taxa entre 3,5% e 3,75% por 12 votos a zero na decisão de 17 de junho, primeira reunião sob a presidência de Kevin Warsh, conforme o calendário oficial do FOMC. A próxima decisão ocorre em 28 e 29 de julho.
BCE aperta ciclo e Fed cita pressão energética
Fora dos Estados Unidos, o aperto monetário já começou. O Banco Central Europeu subiu juros recentemente, em resposta a uma inflação que persiste acima das metas. O próprio Fed reconheceu que a inflação americana segue acima do objetivo de 2%, com os preços de energia adicionando pressão ao índice.
O custo de oportunidade pesa mais sobre ativos sem geração de renda. Com juros reais mais altos, caixa e renda fixa ficam mais atrativos, drenando fluxo de alternativas como ouro e Bitcoin. Esse mecanismo explica boa parte do desconto recente nas duas classes e é o que a Grayscale aposta que vai se reverter.
Pandl defende BTC como mercadoria digital escassa
A leitura da gestora é que o Bitcoin não cabe em uma única caixa. Pandl descreveu o ativo como uma mercadoria digital escassa, capaz de funcionar como reserva de valor de longo prazo e, ao mesmo tempo, oferecer exposição ao crescimento das redes blockchain públicas e do ecossistema cripto como um todo.
“Isso faz a função do Bitcoin parecer com mas não exatamente igual a a do ouro e das ações de crescimento dentro de carteiras”, apontou o executivo. “Nessa lógica, ele atua como diversificador e, nos níveis atuais, parece atrativamente precificado.”
O que muda para quem opera em real
Para brasileiros, um Fed estável favorece ativos de risco e pode ampliar fluxos para exchanges locais. Juros americanos elevados pressionam o real e sustentam o BTC acima de R$ 330 mil atualmente.
O descolamento entre ouro e Bitcoin também merece atenção. Quem usa ETFs de ouro para hedge cambial pode reavaliar a alocação se a tese da Grayscale se concretizar. Em paralelo, empresas de tesouraria seguem comprando, a Strategy já acumula 846.842 BTC e adiciona pressão compradora estrutural no spot, independentemente da curva de juros americana.