- BlackRock liquidou mais de 1.000 BTC do IBIT em apenas um pregão de quinta-feira
- Fluxo agregado dos ETFs spot fechou em -1.410 BTC e pressionou suporte de US$ 60 mil
- IBIT acumula saída de US$ 2,7 bilhões em cinco semanas, maior sequência negativa desde 2024
O iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, descartou mais de 1.000 BTC em uma única sessão na última quinta-feira, puxando o fluxo agregado dos ETFs spot de bitcoin para aproximadamente -1.410 BTC no dia. O movimento ocorre justamente quando o ativo tenta defender o piso de US$ 60 mil, faixa que sustentou o preço por 16 horas sem produzir reação relevante.
A leitura do mercado é direta, vendedores institucionais seguem ativos via resgates de ETF, a demanda à vista não aparece para absorver a oferta e a liquidez mais rala do fim de semana amplifica qualquer movimento direcional. Não é cenário trivial para quem opera margem em corretoras brasileiras.
IBIT puxa fluxo negativo na quinta-feira
O alerta partiu do analista That Martini Guy, que monitora dados intradiários de ETFs e divulgou os números antes mesmo de todos os emissores reportarem. Além das vendas no IBIT, o HODL, da WisdomTree, descartou outros 68 BTC na mesma sessão, segundo levantamento publicado por ele.
Não foi caso isolado. No início do mês, em 5 de junho, os ETFs spot americanos perderam US$ 325,69 milhões em um único dia, com o IBIT novamente liderando os resgates. Em outra onda recente, o fluxo agregado chegou a US$ 733,43 milhões negativos em uma só sessão oitavo pregão consecutivo de saída, sendo US$ 527,84 milhões somente do produto da BlackRock. Movimentos parecidos já foram registrados em saídas recentes do ARKB.
No recorte mais amplo, o IBIT atravessa sua pior sequência multi-semanal desde o lançamento, em janeiro de 2024, US$ 2,7 bilhões em saques líquidos em cinco semanas. O mês de junho já soma cerca de US$ 2,1 bilhões em saídas, depois de US$ 2,4 bilhões em maio. O patrimônio total dos ETFs spot caiu de US$ 109 bilhões, no pico de 10 de maio, para aproximadamente US$ 77 bilhões.
Fed hawkish e Irã travam recuperação
Dois vetores macro explicam a postura institucional. O comunicado do FOMC em junho retirou trechos que reconheciam progresso rumo à meta de 2% de inflação, sinal hawkish que levou dois membros votantes a admitir que cortes previstos para o terceiro trimestre podem migrar para 2027. O resultado foi alta de yields, dólar mais forte e o gatilho da onda de saques dos ETFs. O mercado já precificou Warsh com viés restritivo desde a primeira reunião.
Em cima disso, o conflito EUA-Irã, com mais de 100 dias de duração, mantém o petróleo elevado e alimenta expectativas inflacionárias. O acordo de paz recente reabriu o Estreito de Ormuz e ofereceu trégua de curto prazo, mas insuficiente para reverter o posicionamento defensivo dos fundos. Para o investidor brasileiro, essa combinação mantém o real pressionado, com o dólar em R$ 5,1603, qualquer queda do BTC em dólar é parcialmente amortecida em reais, o que ajuda a explicar por que exchanges locais ainda registram giro firme apesar do movimento externo.
Bitcoin defende US$ 60 mil, mas não reage
No momento, o BTC opera em torno de US$ 63.373 (R$ 327,9 mil), com alta de 1,3% em 24 horas. A faixa absorve oferta, mas não gerou repique consistente. O Índice de Medo e Ganância caiu para 14, enquanto liquidações alcançaram US$ 1,8 bilhão.. Mercados de previsão chegaram a atribuir 71% de chance de teste a US$ 55 mil.
Três cenários se desenham para os próximos pregões. O cenário otimista, alívio geopolítico ou Fed mais dovish pode reativar entradas, lideradas pelo FBTC. No cenário base, o preço oscila entre US$ 60 mil e US$ 68 mil até o fim do verão americano, com fluxo institucional cauteloso. No bear case, o rompimento de US$ 60 mil em volume fino de fim de semana abre caminho para a marca dos US$ 55 mil. Os dados completos dos fluxos podem ser conferidos no painel da CoinGlass.