- Monero e Zcash lideram fortes quedas entre criptos de privacidade
- Risco regulatório aumenta pressão e reduz liquidez do setor
- Especialistas defendem privacidade como infraestrutura essencial no mercado cripto
As criptomoedas focadas em privacidade caíram com força nesta semana e chamaram atenção em um mercado que, apesar da pressão geral, mostrava quedas mais moderadas. Mesmo assim, Monero (XMR) e Zcash (ZEC) lideraram as perdas e ampliaram o clima de cautela entre os investidores.
O setor de privacidade recuou cerca de 5,8% no dia, mas os dois principais ativos do segmento caíram muito mais. O movimento reforçou a percepção de que esses tokens continuam sensíveis a qualquer tensão regulatória ou aversão ao risco.
Monero e Zcash registram perdas maiores que o restante do mercado
O Monero, maior criptomoeda de privacidade, caiu quase 8% em 24 horas e acumulou queda próxima de 20% na semana. O preço recuou para a faixa de US$ 374, após registrar volume diário perto de US$ 125 milhões. A queda se destacou porque ocorreu poucas semanas depois de o ativo ultrapassar US$ 680, movimento que agora parece distante.

Ao mesmo tempo, o Zcash apresentou desempenho ainda pior. O token recuou mais de 26% na semana e se integrou ao grupo de piores desempenhos do top 100. Nas últimas 24 horas, movimentou aproximadamente US$ 399 milhões, refletindo a forte atividade de venda. A correção derrubou o preço, que meses antes havia superado US$ 540 durante uma breve alta no final de dezembro.

Mesmo assim, o mercado segue dividido sobre o próximo movimento do Zcash. Na plataforma de previsão Myriad, usuários atribuem apenas 18% de probabilidade de o ativo avançar até US$ 550, enquanto a maioria acredita em queda até US$ 250.
Risco regulatório volta ao centro das discussões do mercado
A pressão sobre moedas de privacidade voltou justamente no momento em que o setor enfrenta restrições crescentes em exchanges centralizadas. Muitas plataformas removeram ou ameaçaram remover esses ativos ao longo dos últimos três anos, citando exigências de conformidade em regiões como a União Europeia.
Segundo Pavel Nikienkov, cofundador da blockchain Zano, o movimento atual reflete uma combinação de aversão ao risco e desconfiança regulatória. Ele afirma que, quando o mercado fica cauteloso, as narrativas de risco regulatório são vendidas antes de qualquer outra. Por isso, moedas como Monero e Zcash sofrem quedas maiores que o restante do mercado.
Nikienkov explica ainda que os ativos de privacidade carregam obstáculos estruturais, como menor acesso institucional e menor liquidez, o que amplia oscilações. Esse cenário também afetou o token Zama, recém-listado, que recuou masi de 20% em movimento alinhado ao restante do setor.

Mesmo assim, especialistas defendem que a privacidade continua essencial no ecossistema cripto. Nikienkov argumenta que o mercado erra ao tratar privacidade como recurso opcional, porque esse tipo de tecnologia só funciona com grande efeito de rede. Quanto menor o conjunto privado, mais fácil se torna identificar usuários.
Ele reforça que privacidade como padrão permitiria uso real em comércio, folha de pagamento e transações do dia a dia. Segundo ele, “nenhuma economia funcional opera com históricos completamente públicos”, e essa desconexão entre utilidade e adoção amplia o debate sobre o futuro das moedas de privacidade.

