- Jeffrey Epstein tentou se aproximar de desenvolvedores centrais do Bitcoin entre 2011 e 2018.
- Parte de doações ao MIT financiou indiretamente contribuidores do Bitcoin Core em 2015.
- Não há provas de crimes; os documentos indicam tentativas de influência e articulação.
Jeffrey Epstein tentou se aproximar de desenvolvedores centrais do Bitcoin entre 2011 e 2018, além de financiar indiretamente contribuidores do Bitcoin Core via doações ao MIT em 2015.
No entanto, não há provas de crimes; os arquivos revelam apenas tentativas de influência, com e-mails e propostas de financiamento a desenvolvedores da rede.
Doações ao MIT e a conexão com o Bitcoin Core
Desde os primeiros anos do projeto, Epstein demonstrava interesse pelo Bitcoin, entre 2002 e 2017, ele doou US$ 850 mil ao MIT.
Desse total, US$ 525 mil foram destinados ao Digital Currency Initiative (DCI), ligado ao MIT Media Lab.
Em 2015, parte desses recursos foi usada indiretamente para remunerar desenvolvedores do Bitcoin Core. Isso ocorreu após a Bitcoin Foundation ficar sem recursos.
Por isso, o MIT passou a ocupar papel central no desenvolvimento do protocolo.
Além disso, Joichi Ito, então diretor do Media Lab, manteve contato frequente com Epstein. Em um e-mail, celebrou a chegada dos desenvolvedores ao DCI.
“Isso é uma grande vitória para nós”, escreveu.
Ainda assim, os documentos indicam que a citação de nomes não representa irregularidades. Além disso, todas as interações ocorreram após a condenação de Epstein em 2008.
Jeremy Rubin e propostas de financiamento
Jeremy Rubin, cofundador do DCI e desenvolvedor do Bitcoin Core, aparece com destaque nos e-mails. Em 2015, ele buscou financiamento para pesquisas e projetos.
Em resposta, Epstein sugeriu apoio por meio de salário, investimento ou custeio acadêmico. Entretanto, demonstrou cautela com certos projetos.
“O acordo deles é inflar a moeda; isso é perigoso”, afirmou.
Posteriormente, Rubin declarou que teve apenas envolvimento profissional limitado, segundo ele, os e-mails ajudam a entender melhor as estruturas de poder do ecossistema.
Outros desenvolvedores citados
Os arquivos também citam Gavin Andresen, Wladimir van der Laan e Cory Fields, que passaram a atuar no MIT em 2015. Andresen foi convidado a se encontrar com Epstein em 2011, porém recusou.
Até agora, não há registros de contato direto com van der Laan ou Fields.
Já Amir Taaki recebeu mensagens no mesmo período, no entanto, após investigar o histórico de Epstein, decidiu encerrar qualquer contato.
Essas revelações surgem em um momento de maior escrutínio sobre governança, financiamento e influência no desenvolvimento do Bitcoin. Portanto, o debate sobre a independência do código ganha força.
Em síntese, os documentos mostram que Epstein tentou usar dinheiro e conexões para se aproximar do núcleo técnico do Bitcoin.
Entretanto, não há evidências de controle sobre decisões do protocolo. O caso reforça a importância da transparência no financiamento de projetos open source e descentralizados.

