ETFs de Bitcoin voltam a captar; os de Ether seguem no vermelho

  • ETFs spot de Bitcoin nos EUA voltam a captar após sequência de saques
  • Fundos de Ether seguem com resgates e ampliam descolamento institucional
  • Bitcoin é negociado a US$ 66.185 com alta de 2,7% em 24 horas

Os ETFs spot de Bitcoin listados nos Estados Unidos voltaram a registrar entradas líquidas. Eles interromperam uma sequência de saques que vinha alimentando dúvidas sobre a demanda institucional. Esse movimento ocorre em meio à recuperação do BTC, cotado a US$ 66.185 (R$ 338.026,65). Houve avanço de 2,7% nas últimas 24 horas.

O alívio, porém, não se estendeu ao Ethereum. Os fundos atrelados ao ETH continuam no vermelho, ampliando o descolamento entre os dois maiores ativos do mercado quando a leitura é feita pelo fluxo institucional.

Bitcoin recupera bid institucional após dias no vermelho

ETF de bitcoin

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Assim, a virada para entradas líquidas funciona como mais do que uma estatística diária. Além disso, ela quebra um padrão bearish que vinha sendo monitorado por mesa de operações em Nova York e Chicago. Esse padrão ocorreu em um período no qual o BTC chegou a testar suportes próximos de US$ 63 mil.

O fluxo de ETFs virou um dos termômetros mais observados do ciclo atual. Ele não explica cada movimento de preço, e pode ser ruidoso de um pregão para o outro. Porém, quando os saques se acumulam por vários dias seguidos, o mercado faz a pergunta inevitável: a demanda institucional está enfraquecendo ou os grandes alocadores apenas pausaram?

A resposta veio do próprio livro. Emissores maiores, incluindo a BlackRock com o IBIT, retomaram a captação líquida. Esse dado conversa com a leitura recente do retorno do IBIT à captação após o pico de resgates do início do mês. Na ocasião, os produtos de BTC tiveram US$ 4,4 bilhões em saques. Esse foi o maior episódio da história da categoria.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Ether segue com fluxo negativo e amplia descolamento

O caso do Ethereum é diferente. A tese de longo prazo do ativo permanece sustentada por staking, DeFi, stablecoins, tokenização e uma base ampla de desenvolvedores. O problema é estrutural no mercado de ETFs: os produtos lançados em 2024 nunca produziram a demanda persistente que os fundos de BTC entregaram.

Esse vazio deixa o ETH mais vulnerável quando o sentimento azeda. O Bitcoin pode se apoiar nos ETFs como parte da estrutura de suporte. O Ether precisa correr atrás, especialmente em momentos de liquidez restrita no segmento de altcoins. Mesmo com o token subindo 5,2% nas últimas 24 horas, para US$ 1.760,55, o lado dos fundos não acompanha.

A continuidade dos saques reforça uma leitura desconfortável: o investidor tradicional ainda prefere a alocação mais limpa em Bitcoin enquanto a volatilidade segue elevada. Por outro lado, na ponta on-chain, o movimento é diferente. Baleias retiraram cerca de US$ 800 milhões em ETH de exchanges em sete dias. Esse é um sinal de acúmulo que não se traduz, por ora, em demanda via produtos regulados.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Próximo teste é manter entradas por mais de um pregão

A pergunta que define a próxima semana é se o dia positivo foi um evento isolado ou o início de uma sequência consistente. Caso as entradas em ETFs de BTC continuem, o mercado tende a tratar o susto recente como ruído temporário. O piso técnico próximo de US$ 63 mil ganha consistência nesse cenário. Contudo, se o fluxo voltar a virar negativo, traders devem retomar a postura defensiva rapidamente.

Para o Ether, a barreira é mais simples e mais alta ao mesmo tempo: encerrar a sequência de saques. Até que os fundos de ETH mostrem bid mais firme, o Bitcoin segue como a alocação institucional preferida, e o gap entre os dois ativos deve continuar visível no painel diário da SEC.

X
Siga o BitNotícias no X para notícias em tempo real
Compartilhe este artigo
Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.