Saques de US$ 4,4 bi em ETFs de Bitcoin batem recorde histórico

  • ETFs spot de Bitcoin somam US$ 4,4 bilhões em saques entre 15 de maio e 3 de junho
  • Venda em bloco de US$ 1,3 bilhão no IBIT da BlackRock foi executada fora do pregão
  • Custo médio de produção dos mineradores próximo a US$ 61.500 sustenta tese de fundo

Os ETFs spot de bitcoin nos Estados Unidos viveram a pior fase desde o lançamento em janeiro de 2024. Entre 15 de maio e 3 de junho, os fundos acumularam US$ 4,4 bilhões em saques líquidos, na sequência negativa mais longa já registrada pelos produtos. O dado foi compilado pela Motley Fool a partir de fluxos diários divulgados pelas gestoras.

O movimento coincide com queda de 21% no preço do BTC nos últimos 30 dias. A cotação atual está em US$ 64.578, equivalente a R$ 329.819, após alta de 1,1% nas últimas 24 horas. O recuo, ainda assim, jogou o ativo para perto de uma zona técnica que historicamente atrai compradores de longo prazo.

Venda de US$ 1,3 bilhão acelera saída

Bitcoin (4)

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O destaque negativo do período foi uma operação isolada no iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock. Um único detentor liquidou US$ 1,3 bilhão em cotas em uma transação privada, executada fora dos pregões públicos. O formato block trade evita pressão imediata no livro de ordens, mas sinaliza realocação institucional relevante.

Assim, a rotação de capital tem destino claro. Ações ligadas a inteligência artificial e semicondutores concentraram os ganhos do ano nos mercados tradicionais, drenando liquidez de ativos mais voláteis. O bitcoin, que paga zero de rendimento e oscila em janelas curtas, perdeu apelo relativo no comparativo com papéis como Nvidia, AMD e a recente disparada da Sandisk em 660% no ano.

O cenário macro reforça a tese de aversão a risco. Dados de emprego nos EUA vieram mais fortes do que o consenso e adiaram as projeções de corte de juros pelo Federal Reserve. Renda fixa americana voltou a competir agressivamente com o BTC. Soma-se a isso a tensão com o Irã, que pressiona o preço da energia e ameaça reacender a inflação global.

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Custo de produção em US$ 61.500 vira piso técnico

Além disso, apesar do tom defensivo, a estrutura on-chain começa a desenhar um cenário de exaustão vendedora. O preço atual roda muito próximo do custo médio de produção dos mineradores, estimado em US$ 61.500 quando consideradas apenas as despesas elétricas. Em fevereiro, com hardware e custos administrativos inclusos, o cálculo all-in chegava a US$ 87 mil por moeda.

O descasamento ativa um mecanismo de autocorreção previsto no protocolo. Operadores com margem comprimida desligam as máquinas, a dificuldade de mineração ajusta para baixo e o custo médio cai. Esse processo costuma coincidir com momentos em que a oferta nova de bitcoin fica ainda mais escassa, criando pressão compradora estrutural. Os bear markets de 2019 e 2022 registraram o mesmo padrão antes de ciclos de alta. Levantamentos recentes indicam que diversos mineradores já entraram em capitulação com margem operacional de apenas 4,67%.

Investidor brasileiro enfrenta dólar a R$ 5,10

Para quem opera daqui, a leitura ganha uma camada extra. Com o dólar a R$ 5,1073, a queda do BTC em moeda local foi parcialmente amortecida pela depreciação do real frente à divisa americana. Investidores que mantêm posição em exchanges nacionais como Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso veem a desvalorização suavizada em reais, mas enfrentam spread maior em janelas de alta volatilidade.

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Assim, a leitura institucional segue dividida. O Standard Chartered decretou o fim do inverno cripto após o recuo, enquanto analistas mais cautelosos projetam fundo na faixa de US$ 47 mil caso a pressão macro persista. O IBIT, mesmo com a saída bilionária, segue como o ETF spot com maior patrimônio sob gestão da categoria, e já voltou a captar em sessões recentes.

O conflito no Oriente Médio segue como variável dominante. Caso uma trégua se confirme, parte do prêmio de risco embutido nos ativos voláteis tende a sair. Dados da Farside Investors mostram que sessões isoladas de captação positiva já voltaram a aparecer no agregado dos onze ETFs spot listados na bolsa americana, indicando que a fase mais intensa de resgates pode estar perdendo força.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.