ETFs de Bitcoin fecham 1º semestre com saída inédita de US$ 5,4 bi

  • ETFs à vista de Bitcoin registram primeiro semestre negativo desde o lançamento em 2024
  • IBIT da BlackRock concentra US$ 5 bilhões dos saques entre maio e junho de 2026
  • ETFs de Ether também sangram US$ 1,47 bilhão em 123 pregões de 2026

Os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos encerraram o primeiro semestre de 2026 no vermelho pela primeira vez desde a estreia, em janeiro de 2024. O saldo negativo somou US$ 5,4 bilhões em resgates líquidos, segundo levantamento da DWF Labs, e interrompeu uma sequência histórica de captação que havia acumulado US$ 56,6 bilhões até o fim de 2025.

O fenômeno pega investidores no momento em que o Bitcoin é negociado a US$ 61.693, com queda de 1,5% em 24 horas. Em reais, o ativo circula perto de R$ 320.569, patamar bem distante da máxima de outubro do ano passado.

IBIT vira fonte de resgates em maio e junho

A trajetória do semestre começou fraca. Janeiro apagou US$ 1,6 bilhão em fluxos e, até 23 de fevereiro, o acumulado desde a estreia dos produtos havia recuado para US$ 53,8 bilhões. Foram menos de oito semanas para queimar US$ 2,8 bilhões.

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Abril trouxe fôlego passageiro. O acumulado voltou a US$ 59,8 bilhões em 6 de maio, e a DWF Labs aponta que o IBIT da BlackRock respondeu sozinho por 99,6% dessa entrada mensal. O respiro durou pouco. Entre 15 de maio e 3 de junho, os fundos amargaram 13 pregões consecutivos de saques, a maior sequência negativa desde o lançamento da categoria. O período drenou US$ 4,4 bilhões e devolveu todo o ganho de abril.

O IBIT ainda lidera com folga em captação histórica: US$ 60,3 bilhões, ou 3,3 vezes a soma de todos os concorrentes fora o GBTC da Grayscale. Mesmo assim, o fundo mudou de papel em 2026. Depois de recuperação em março e abril, virou o principal canal de saída em maio e junho, com US$ 5 bilhões em resgates líquidos nos dois meses. É mais do que todas as saídas mensais anteriores do IBIT somadas.

Éter perde US$ 1,47 bilhão e staking não salva

A fraqueza contaminou os ETFs de Ether. Os produtos à vista fecharam o semestre com US$ 1,47 bilhão em saídas líquidas ao longo de 123 pregões, sendo 73 negativos contra 49 positivos. O acumulado desde o lançamento caiu para US$ 10,9 bilhões em 30 de junho, uma redução de 28% frente ao pico de US$ 15,1 bilhões atingido em outubro de 2025 — mesmo mês em que os fundos de BTC começaram sua correção de 18,4%.

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A DWF Labs destaca que os ETFs com staking ganharam tração após a guidance regulatória americana de 2025. Grayscale ativou staking no ETHE e em seu mini trust, a 21Shares passou a distribuir rendimentos no TETH, e a BlackRock lançou o ETHB em março. Ainda assim, o rendimento embutido não conteve a saída. O Ethereum é negociado a US$ 1.740 nesta segunda-feira, com o mesmo sinal de fadiga técnica já discutido no roteiro Lean de Vitalik Buterin.

IA drena capital e brasileiros sentem câmbio

Para a DWF Labs, o pano de fundo é a competição por capital. Empresas ligadas à inteligência artificial abocanharam a atenção institucional e varejo que antes migrava para cripto. Mesmo com o refluxo, cerca de US$ 80 bilhões permanecem alocados nos ETFs de Bitcoin — boa parte de investidores que só ganharam acesso ao ativo via veículo regulado.

No Brasil, o efeito é duplo. Além do dólar a R$ 5,1962, que amortece parte da queda do BTC em reais, o cenário reforça a assimetria entre baleias e vendedores institucionais. Dados recentes mostram baleias absorvendo US$ 16,7 bilhões em BTC justamente quando os ETFs vendiam US$ 4 bilhões. Enquanto isso, o Banco Central avança em regras de capital para exchanges locais, o que pode encarecer produtos análogos negociados na B3 e nas corretoras nacionais nos próximos trimestres. A conclusão da DWF Labs foi cirúrgica: os fundamentos seguem, mas o fluxo virou.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.