- ETFs spot de Bitcoin perdem US$ 1,79 bilhões, terceira pior semana já registrada
- Fundos de Ether somam sétima semana seguida de saída, com US$ 273 milhões drenados
- HYPE atrai US$ 111 mi e XRP soma US$ 22,99 milhões em meio à fuga generalizada
A semana encerrada em 26 de junho expôs uma divisão clara no apetite institucional por ETFs cripto. Enquanto os fundos de Bitcoin e Ether sofreram saques combinados acima de US$ 2 bilhões, produtos ligados ao token HYPE, da Hyperliquid, e ao XRP nadaram contra a maré e receberam aportes relevantes.
Os números mostram um investidor mais cirúrgico. Não é mais a tese cripto inteira que está sendo descontada é uma realocação dentro do próprio segmento, em direção a produtos com narrativa mais fresca e momentum técnico recente. O Bitcoin, negociado em US$ 60.270, continua sob pressão mesmo após o leve repique de 1,6% em 24 horas.
IBIT puxa perda de US$ 1,79 bilhão na semana
Os ETFs spot de Bitcoin registraram US$ 1,79 bilhão em saques líquidos entre 22 e 26 de junho, segundo dados da SoSoValue. É a terceira maior saída semanal da história desses produtos, que completaram sete semanas consecutivas no vermelho cinco delas com sangria acima de US$ 1 bilhão.

O epicentro foi o IBIT, da BlackRock, que perdeu US$ 1,3 bilhão sozinho. Em seguida vieram o FBTC, da Fidelity, com US$ 314,9 milhões em resgates, e o GBTC, da Grayscale, com US$ 135,3 milhões. A pressão se espalhou pelos emissores menores, BTCO da Invesco perdeu US$ 53 milhões, ARKB da Ark & 21Shares saiu com US$ 37,8 milhões, e o BITB da Bitwise teve US$ 34,6 milhões em saques.
Houve bolsões de entrada, mas insuficientes para equilibrar a conta. O Bitcoin Mini Trust da Grayscale captou US$ 71,7 milhões, o MSBT do Morgan Stanley recebeu US$ 26,2 milhões e o BTCW da WisdomTree somou modestos US$ 3,4 milhões. Diante do bloco de saída comandado pela BlackRock, esses fluxos parecem ruído.
Ether encadeia sétima semana no vermelho
Os ETFs spot de Ether seguiram em trajetória parecida, com US$ 273 milhões em saques líquidos. A semana estendeu para sete a sequência de resultados negativos consecutivos da categoria. O ETHA, também da BlackRock, voltou a ser o principal vetor de pressão, ancorando saídas em pelo menos quatro dos cinco pregões.
A leitura é interessante, o Ether, cotado a US$ 1.622,07, subiu 3,4% nas últimas 24 horas mesmo com fluxo institucional adverso. Isso sugere que a demanda à vista no varejo e em mesas asiáticas está absorvendo parte do desmonte feito por gestores americanos. O cenário lembra o que se viu nas saídas anteriores dos fundos de ETH, em que o preço resistiu enquanto o ETF sangrava.
HYPE capta US$ 108 milhões em um único dia
Do outro lado da mesa, HYPE foi a estrela da semana. Os ETFs ligados ao token receberam US$ 111 milhões, concentrados sobretudo na quinta-feira, quando entraram US$ 108,09 milhões de uma vez. Para um produto recém-lançado e ainda em fase de descoberta de preço, é um sinal de demanda institucional que vinha sendo ignorado.
O XRP também atraiu fluxo, com US$ 22,99 milhões em entradas líquidas. A sexta-feira concentrou US$ 15,63 milhões, distribuídos principalmente entre os produtos da Bitwise e o GXRP da Grayscale. O ativo, negociado a US$ 1,06, mantém uma sequência ininterrupta de entradas em ETFs, contrastando com a fadiga vista em Bitcoin e Ether.
Os ETFs de Solana tiveram desempenho neutro, com saída líquida de apenas US$ 1,81 milhão na semana, apesar de o SOL ter saltado 6,5% no período medido.
Investidor brasileiro acompanha rotação via B3
Para o mercado local, o movimento tem leitura direta. Os BDRs de ETFs cripto listados na B3 incluindo espelhos do IBIT e do ETHA replicam os fluxos americanos com defasagem de pregão. Quem opera por aqui sente a pressão dois dias depois, com prêmio comprimido e volume mais fino.
O reforço da regulação do Banco Central sobre stablecoins também muda o tabuleiro. Com restrições maiores ao uso de USDT em pagamentos internos, o ETF passa a ser visto como caminho de menor atrito para exposição cripto entre investidores qualificados brasileiros exatamente quando o produto sofre nos EUA.