Ethereum luta por US$ 2.000 com saídas de US$ 340 mi em ETFs

  • ETFs de Ethereum acumulam saída líquida superior a US$ 340 milhões em seis pregões
  • BitMine compra 71.672 ETH por US$ 154 milhões e chega a 5,28 milhões de tokens
  • CoinGlass mostra liquidez concentrada entre US$ 2.000 e US$ 2.150 em derivativos

O ethereum opera próximo de US$ 2.112 nesta segunda-feira (19), pressionado por uma combinação rara de fatores macroeconômicos e fluxo institucional negativo. O ativo falhou em retomar a resistência de US$ 2.150 e devolveu boa parte da recuperação iniciada em abril.

A maior dor de cabeça vem dos produtos listados nos Estados Unidos. Nas últimas seis sessões, os ETFs à vista de ETH registraram saída líquida acumulada superior a US$ 340 milhões, segundo dados da SoSoValue. Só na segunda-feira, o ETHA da BlackRock perdeu US$ 55,4 milhões, enquanto o FETH da Fidelity teve resgates de US$ 14,7 milhões e os produtos da Grayscale somaram outros US$ 10 milhões em saques.

O movimento ocorre em ambiente hostil para ativos de risco. O rendimento da Treasury de 10 anos disparou para 4,59%, maior patamar em meses. Além disso, o CPI de abril veio em 3,8% na variação anual — acima do esperado. A combinação reforça a tese de que o Federal Reserve manterá juros altos por mais tempo. Dessa forma, isso drena liquidez de criptoativos.

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Petróleo vira fator decisivo

Ethereum

Outro vetor inesperado: o petróleo. O barril de Brent ronda US$ 111 em meio à escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã. Tom Lee, presidente da tesouraria cripto BitMine Immersion, afirmou em publicação no X que a correlação inversa entre ETH e petróleo está no maior nível já registrado.

“Reversão no petróleo = recuperação do ETH”, escreveu Lee. A leitura é relevante para o investidor brasileiro porque conecta dois mercados que raramente aparecem juntos em análises de cripto. Além disso, no atual ciclo, parecem se mover em sentidos opostos com força incomum. Quem opera derivativos em corretoras locais precisa monitorar o barril tanto quanto o gráfico do ETH/USDT.

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Apesar da queda, a própria BitMine seguiu comprando agressivamente. A empresa adquiriu cerca de 71.672 ETH na semana passada, equivalente a US$ 154 milhões, e elevou o estoque para 5,28 milhões de tokens — aproximadamente 4,37% do supply em circulação. O ritmo surpreendeu porque Lee havia sinalizado desaceleração das compras. BitMine e a Strategy, de Michael Saylor, seguem como exceções num cenário de retração geral entre tesourarias corporativas. Mais detalhes do movimento podem ser vistos na aquisição anterior da BitMine.

Estrutura técnica favorece vendedores

No gráfico semanal, o ethereum negocia abaixo de uma linha descendente que se mantém intacta desde o fim de 2024. O ativo também não consegue superar o retração de Fibonacci de 0,236, posicionada perto de US$ 2.238. Essa região rejeitou várias tentativas de recuperação nos últimos meses.

Os indicadores reforçam o cenário. O MACD continua em território negativo, e o RSI semanal opera na faixa dos 30 pontos altos, sem chegar a condições de sobrevenda extrema. Historicamente, repiques mais consistentes só aparecem depois que o RSI atinge níveis mais deprimidos e mostra exaustão clara dos vendedores.

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O analista Ted Pillows resume o jogo de curto prazo: retomada de US$ 2.150 abre caminho para US$ 2.250; rejeição leva o preço para US$ 2.000. O mapa de liquidações da CoinGlass confirma a tese. Existem clusters densos de alavancagem justamente nessas duas zonas.

Risco de cascata abaixo de US$ 2.000

O nível psicológico de US$ 2.000 concentra grande volume de stops e posições longas alavancadas. Se romper, o próximo suporte estrutural relevante no gráfico semanal fica próximo de US$ 1.400. Isso ocorre na base do canal descendente — distante, mas relevante caso o macro piore.

O quadro lembra o episódio recente em que o ETH liquidou US$ 246 milhões em posições compradas ao testar regiões próximas. A diferença agora é a soma de três pressões simultâneas: juros longos americanos em alta, petróleo acima de US$ 100 e ETFs em sequência de resgates. A tendência também aparece no bitcoin. Por exemplo, houve saída de US$ 1,54 bilhão em uma semana.

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Para o investidor que opera ETH em reais, a leitura prática é clara: enquanto o petróleo não recuar e os Treasuries não devolverem prêmio, o caminho de menor resistência segue de queda, com o suporte psicológico de US$ 2.000 funcionando como linha de defesa final antes de uma correção mais profunda.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.