- Ethereum opera a US$ 1.720 e acumula queda de 63% desde a máxima histórica
- CLARITY Act e upgrade Glamsterdam concentram apostas para virada do mercado
- Standard Chartered mantém alvo de US$ 40 mil para ETH até 2030
O ethereum entra na reta final de 2026 longe do brilho que cercava a rede há um ano. Cotado a US$ 1.719,60 (cerca de R$ 8.863), o ativo acumula queda de 63% em relação à máxima histórica registrada no fim do verão norte-americano de 2025, quando flertou com a casa dos US$ 5.000.
A desidratação foi rápida. Tesourarias corporativas dedicadas ao ETH, que se multiplicaram entre 2024 e 2025, perderam tração. Fluxos para os ETFs à vista de Ethereum minguaram, e a narrativa de “ultra-sound money” cedeu espaço a debates sobre a captura de valor pelas Layer 2.
CLARITY Act mira instituições em DeFi e stablecoins
O primeiro catalisador acompanhado de perto pelo mercado é o Digital Asset Market Clarity Act, que pode ser sancionado já em julho. O texto pretende destravar a interação entre bancos, gestoras e prestadoras de serviço com ativos digitais nos Estados Unidos.
Aqui o Ethereum tem vantagem estrutural. A rede segue como principal infraestrutura de finanças descentralizadas, tokenização de ativos reais e emissão de stablecoins três frentes em que a clareza regulatória americana destrava casos de uso institucionais que hoje vivem em zona cinzenta. Tesourarias corporativas que apostaram no ativo, como a BitMine, dependem desse desfecho para justificar exposições bilionárias.
Mesmo dentro do Congresso americano o cronograma é incerto. Disputas sobre rendimento em stablecoins, tema central de pressão do lobby bancário, podem empurrar a votação para o fim de 2026 ou início de 2027. O risco regulatório, portanto, ainda é binário.
Glamsterdam promete 10 mil TPS na camada base
O segundo gatilho atende pelo nome de Glamsterdam, próximo hard fork da rede, previsto para o terceiro trimestre. A promessa técnica é elevar a capacidade de processamento da camada base para algo próximo de 10 mil transações por segundo, colocando o Ethereum em pé de igualdade com concorrentes como Solana.
Mais relevante do que o número absoluto é a engenharia econômica embutida. Ao melhorar throughput na L1, o upgrade tende a redistribuir parte da captura de valor que hoje migra para Arbitrum, Base, Optimism e demais L2s alvo recorrente de crítica entre quem acompanha o protocolo. Esse desenho ajudou a motivar iniciativas como o Ethlabs, lançado por Joseph Lubin e Tom Lee para reposicionar o ETH frente a fundos.
Standard Chartered mantém alvo de US$ 40 mil até 2030
Nas mesas de pesquisa, as projeções continuam destoantes. O Standard Chartered reiterou expectativa de Ethereum a US$ 40 mil até 2030 múltiplo superior a 20 vezes o preço atual. Cenários mais conservadores trabalham com a retomada do patamar de US$ 5.000, marca que já foi tocada em 2025.
O contraponto vem do fluxo. Dados recentes da FalconX mostram baleias acumulando ETH abaixo de US$ 2 mil, enquanto ETFs à vista seguem em saques líquidos. A divergência entre carteiras grandes e produtos regulados é típica de fundo de ciclo, mas não garante reversão imediata.
Investidor brasileiro paga R$ 8.863 por ETH em bear prolongado
Para quem opera no Brasil, o preço descontado em dólar é amortecido pelo câmbio. Com o USD/BRL a R$ 5,15, comprar 1 ETH custa hoje cerca de R$ 8.863 nas exchanges locais patamar comparável ao visto no início de 2024, antes do rali que levou o ativo ao topo histórico.
A Receita Federal mantém a tributação de 15% a 22,5% sobre ganho de capital em cripto acima de R$ 35 mil mensais em alienações, regra que segue válida mesmo após a discussão sobre o IOF de operações financeiras. Para tesourarias e fundos brasileiros, o eventual avanço do CLARITY Act nos EUA tende a servir de referência regulatória a CVM costuma observar o desenho americano antes de calibrar normativos próprios sobre tokenização e custódia.