- Zonda admite não ter acesso a wallet com 4.500 BTC avaliados em US$ 334 milhões
- CEO Przemysław Kral divulga endereço da carteira pela primeira vez
- Fundador Sylwester Suszek está desaparecido desde março de 2022
A exchange polonesa Zonda confirmou que uma carteira contendo aproximadamente 4.500 Bitcoin está inacessível. O CEO Przemysław Kral divulgou o endereço da wallet em vídeo publicado quinta-feira, revelando que as chaves privadas nunca foram transferidas pelo fundador desaparecido.
O endereço blockchain apresentado mostra 4.503 BTC, equivalentes a US$ 334 milhões nos valores atuais. A última transação registrada data de novembro de 2025, indicando que os fundos permanecem intocados há meses.

Pela primeira vez desde o início da controvérsia, a exchange tornou público o endereço da carteira fria. A transparência surge após semanas de especulação sobre a solvência da plataforma e investigações das autoridades polonesas.
Fundador sumiu sem entregar controle dos fundos
Sylwester Suszek, fundador e ex-CEO da plataforma, está desaparecido desde março de 2022. As chaves privadas da carteira deveriam ter sido repassadas durante a transição de comando da empresa, segundo Kral.
“Para todos que afirmam que tive algo a ver com o desaparecimento de Sylwester, este é o principal argumento de que me importo mais em encontrá-lo”, declarou o atual CEO no pronunciamento.
O executivo negou categoricamente acusações de apropriação indevida de fundos. Kral não afirmou explicitamente que os bitcoins estão perdidos, mas deixou claro que sem as chaves privadas, o acesso aos US$ 334 milhões permanece impossível.
A divulgação ocorre após relatórios locais indicarem investigação das autoridades polonesas sobre a exchange. A plataforma blockchain Recoveris havia apontado possível insolvência baseada em quedas bruscas nos saldos das carteiras quentes da Zonda.
Pressão anormal de saques preocupa investidores
Kral atribuiu a recente pressão sobre a plataforma a um pico anormal de solicitações de retirada. A exchange normalmente processa cerca de 100.000 pedidos anuais, mas recebeu mais de 25.000 requisições em questão de horas ao redor de 6 de abril.
O volume representa aproximadamente 25% do total anual concentrado em poucos dias. Esse movimento coincidiu com a divulgação das análises da Recoveris e reportagens sobre possíveis problemas financeiros da exchange.
O executivo vinculou esse movimento à cobertura negativa da mídia sobre a situação da empresa. Ainda assim, prometeu cumprir todas as obrigações com os clientes e anunciou medidas legais contra o que classificou como alegações falsas.
Em resposta às alegações de insolvência feitas em 6 de abril, Kral havia insistido que a Zonda permanecia totalmente solvente, citando holdings superiores a 4.500 BTC. Agora fica claro que esses fundos existem, mas estão inacessíveis.
Histórico conturbado e mudanças regulatórias
A Zonda, anteriormente conhecida como BitBay, foi fundada em 2014 na Polônia. Em 2021 passou por rebranding e posteriormente registrou operações na Estônia devido a incertezas regulatórias polonesas.
Kral explicou em fevereiro que a mudança jurisdicional ocorreu especialmente devido aos atrasos na implementação do MiCA (Markets in Crypto-Assets) pela União Europeia. A regulação, que promete harmonizar as regras cripto no bloco, ainda enfrenta obstáculos de implementação em diversos países.
O parlamentar polonês Tomasz Mentzen comentou no X que a Zonda pode ter perdido acesso definitivo à sua cold wallet após o sumiço de Suszek. Reportagens mencionam supostos vínculos criminais entre alguns acionistas da exchange, adicionando mais uma camada de complexidade ao caso.
O desaparecimento de Suszek há mais de dois anos levanta questões sobre governança corporativa e gestão de riscos em exchanges cripto. A situação expõe vulnerabilidades quando o controle de ativos digitais está concentrado em poucos indivíduos.
O caso aumenta a pressão sobre reguladores e amplia o escrutínio do setor cripto na Polônia. A situação também destaca os desafios enfrentados por exchanges menores em mercados com regulação em desenvolvimento.
Para investidores brasileiros, a situação serve de alerta sobre os riscos de custódia em exchanges e a importância da segregação adequada de chaves privadas em operações institucionais. Além disso, o caso reforça argumentos a favor da autocustódia e do uso de soluções multisig para grandes quantias.
Ainda mais, a crise da Zonda ocorre em um momento delicado para o mercado cripto europeu, que busca equilibrar inovação com proteção ao consumidor. O desfecho deste caso pode influenciar futuras regulamentações e práticas de custódia no continente.


