- ETFs de Bitcoin captam US$ 14,76 mi após 3 dias de retiradas
- BlackRock e Fidelity compensam saídas de US$ 20,9 mi em outros fundos
- Ethereum estende perdas para US$ 23,64 milhões em 4 dias consecutivos
Os fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin quebraram uma sequência negativa e voltaram a captar recursos. Após três dias consecutivos de retiradas, os produtos atraíram US$ 14,76 milhões, com destaque para a entrada de US$ 19,05 milhões no FBTC da Fidelity.
O movimento, no entanto, esconde uma realidade fragmentada. Enquanto dois gigantes do mercado puxaram o saldo positivo, seis outros fundos registraram saídas que somaram US$ 20,9 milhões. A dinâmica revela seletividade crescente dos investidores institucionais em meio à volatilidade do mercado cripto.
BlackRock e Fidelity sustentam recuperação
O IBIT da BlackRock liderou as entradas com US$ 26,61 milhões, seguido pelo FBTC da Fidelity. Juntos, os dois fundos mais que compensaram as retiradas observadas em produtos menores. O BRR da Valkyrie perdeu US$ 8,62 milhões, enquanto o ARKB da Ark & 21Shares viu US$ 6,34 milhões saírem.
Mesmo o veterano GBTC da Grayscale, que já foi o maior produto de Bitcoin do mundo, continuou perdendo capital com saída de US$ 5,94 milhões. Fundos como BTCO da Invesco, BITB da Bitwise e HODL da VanEck também registraram retiradas menores. O volume total negociado manteve-se estável em US$ 1,40 bilhão.
Os ativos totais sob gestão voltaram a superar a marca psicológica de US$ 100 bilhões, encerrando em US$ 100,53 bilhões. Para investidores brasileiros, o movimento sinaliza que o apetite institucional por Bitcoin persiste, ainda que concentrado em poucos emissores de confiança.

Ethereum aprofunda perdas com BlackRock na contramão
Diferente do Bitcoin, os ETFs de Ethereum estenderam sua série negativa para quatro dias. As saídas líquidas alcançaram US$ 23,64 milhões, com o ETHA da BlackRock respondendo por US$ 50,57 milhões do total uma reversão notável para o fundo que vinha atraindo capital consistentemente.
Curiosamente, outro produto da própria BlackRock, o ETHB, captou US$ 29,10 milhões, evidenciando divergência até dentro da mesma gestora. O Ether Mini Trust da Grayscale adicionou US$ 4,72 milhões. Ainda assim, saídas adicionais em ETHW da Bitwise, ETHE da Grayscale e FETH da Fidelity garantiram o saldo negativo.
O volume negociado de US$ 339,87 milhões ficou bem abaixo dos padrões do Bitcoin. Com ativos totais de US$ 13,25 bilhões, os ETFs de Ethereum representam apenas 13% do mercado de fundos cripto listados nos Estados Unidos.
Altcoins registram pressão vendedora
Os ETFs de XRP quebraram uma breve sequência positiva com saída de US$ 5,83 milhões, toda concentrada no produto da Bitwise. Apesar do movimento modesto volume negociado foi de apenas US$ 16,90 milhões a reversão indica cautela renovada com altcoins após dias de entrada de capital.
ETFs de Solana voltaram à atividade após três dias parados, mas não foi uma retomada positiva. O GSOL da Grayscale perdeu US$ 1,24 milhão, único movimento do dia. Com US$ 23,51 milhões em volume e ativos de US$ 849,48 milhões, os produtos de SOL permanecem nicho restrito.
A divergência entre Bitcoin e demais criptoativos nos fluxos de ETFs sugere rotação de capital em busca de segurança relativa. Historicamente, períodos de incerteza macro beneficiam o Bitcoin em detrimento de tokens menores padrão que parece se repetir.
Para o mercado brasileiro, onde ETFs de cripto ainda aguardam aprovação regulatória, os dados americanos servem como termômetro. A concentração de entradas em apenas dois emissores (BlackRock e Fidelity) reforça que marca e histórico importam tanto quanto o ativo subjacente.
O retorno técnico às entradas líquidas no Bitcoin ocorre em momento delicado. Dados divulgados pela fonte mostram que o mercado opera com volumes 30% menores que o pico de março, quando o Bitcoin atingiu máximas históricas.
A sustentação acima de US$ 100 bilhões em ativos, porém, estabelece novo patamar estrutural. Antes do lançamento dos ETFs em janeiro de 2024, o mercado institucional americano tinha exposição limitada ao Bitcoin. Agora, mesmo em momentos de realização, o capital permanece majoritariamente alocado — mudança fundamental na estrutura de mercado.

