- Beimnet Abebe, da Galaxy, projeta Bitcoin abaixo de US$ 60 mil neste ciclo
- Diretor estima teste da faixa entre US$ 50 mil e US$ 40 mil ainda em 2026
- Estratégia recomendada é vender repiques e acumular apenas no 4º trimestre
O diretor de trading principal da Galaxy, Beimnet Abebe, projetou que o bitcoin deve perder o piso dos US$ 60.000 nas próximas semanas e testar uma zona entre US$ 50.000 e US$ 40.000 ao longo de 2026. A leitura, feita no podcast Galaxy Brains, contrasta com o discurso de fundo já formado que circula entre traders de varejo.
Assim, Abebe descreve o atual movimento como um bear market estrutural, não uma simples correção. Para ele, falta pressão compradora marginal — o tipo de fluxo que, no ciclo anterior, vinha de tesourarias corporativas e compras recorrentes de grandes alocadores. Sem esse motor, o ativo não consegue reagir nem nos dias de risk-on agressivo nas bolsas americanas.
Falta de comprador marginal trava o Bitcoin

Assim, o argumento central de Abebe é técnico, não emocional. Quando Michael Saylor e outros compradores agressivos reduzem o ritmo, o livro de ofertas perde profundidade do lado comprador. Sem novos lances expressivos, qualquer venda de baleia legada move o preço com facilidade. Recentemente, a Strategy chegou a interromper 41 meses de acumulação, sinal lido pelo mercado como inflexão de demanda institucional.
Os ETFs à vista reforçam o diagnóstico. O fluxo positivo que sustentou o rali de 2024 secou. “É uma daquelas situações em que o ativo não responde nem ao rali de risco mais intenso do ano”, disse Abebe em entrevista publicada pela Galaxy. Dados recentes mostram saques contínuos no IBIT, da BlackRock, e a maré negativa já se estende por mais de uma dezena de pregões.
Além disso, outro elemento importante: ainda não há sinal de capitulação. O executivo descreve a venda atual como “ordenada”, longe do pânico que historicamente marca fundos de ciclo. Sem essa exaustão, o piso do mercado não está formado — e tentar pegar a faca caindo, na visão dele, é prematuro.
Acumular só no quarto trimestre
Assim, a janela apontada para retomar compras é o quarto trimestre de 2026, aproximadamente um ano após o último topo histórico. O padrão temporal segue ciclos anteriores do bitcoin, em que vendedores de longo prazo que liquidaram posições no topo costumam recomprar em faixas significativamente mais baixas. “Muitos dos OGs que venderam alto serão compradores OGs em algum nível. Estamos caçando esse nível”, afirmou Abebe.
Enquanto isso, a estratégia recomendada é operar a tendência: vender repiques e cobrir posições em quedas. A lógica vale tanto para gestores quanto para investidores brasileiros que operam BTC em exchanges locais, num momento em que o Banco Central exige auditoria independente das corretoras nacionais e amplia a fiscalização sobre custodia de cripto.
Narrativas de IA roubam fluxo do BTC
Além disso, parte da fraqueza, segundo Abebe, vem da concorrência por capital especulativo. O dinheiro que historicamente migrava para o bitcoin em busca de alavancagem está sendo desviado para ações de inteligência artificial, IPOs aguardados e produtos tokenizados de TradFi. “O que essa turma quer é alavancagem e volatilidade. Você não consegue isso com bitcoin agora”, resumiu.
Assim, o argumento ecoa relatório recente da Binance Research, segundo o qual ações americanas estão drenando capital do bitcoin. Para o investidor brasileiro, o recado prático é duplo: o real está em R$ 5,08 por dólar, o que amortece parte da queda em BTC quando convertida em moeda local, mas não anula o cenário macro adverso para alocações alavancadas em cripto.
Nas mesas de derivativos, traders monitoram a região dos US$ 60 mil como teste-chave. A perda desse piso abriria, segundo Abebe, caminho técnico para o intervalo de US$ 50 mil a US$ 40 mil, faixa onde compradores estruturais de longo prazo tendem a reaparecer.