- ETFs de Bitcoin e Ether sofrem saída de US$ 291 milhões
- Inflação de 2,9% pressiona Fed e assusta investidores
- Ethereum mantém resiliência com entradas fortes de investidores institucionais
Os ETFs de Bitcoin e Ether registraram uma expressiva saída de capital, somando US$ 291 milhões em um único dia. O movimento ocorreu após novos dados de inflação nos Estados Unidos reacenderem preocupações sobre a política monetária do Federal Reserve.
O s ETFs de Ether lideraram as perdas, com saídas de US$ 164,64 milhões, encerrando uma sequência de cinco sessões positivas que haviam somado mais de US$ 1,5 bilhão em entradas. Já os ETFs de Bitcoin perderam US$ 126,64 milhões, marcando a primeira queda diária desde 22 de agosto.
Saídas expressivas e fundos mais afetados
O impacto foi sentido no total de ativos sob gestão (AUM). O ETF de Ethereum caiu para US$ 28,58 bilhões, enquanto o de Bitcoin recuou para US$ 139,95 bilhões. Fundos individuais mostraram a dimensão da fuga.
O FBTC, da Fidelity, perdeu US$ 66,2 milhões, enquanto o ARKB, da ARK Invest e 21Shares, registrou saídas de US$ 72,07 milhões. O GBTC, da Grayscale, também recuou, com retirada de US$ 15,3 milhões.
Apesar do cenário negativo, alguns fundos se destacaram positivamente. O IBIT, da BlackRock, recebeu US$ 24,63 milhões em novas entradas, e o BTCW, da WisdomTree, atraiu US$ 2,3 milhões, indicando que parte dos investidores aproveitou a turbulência para aumentar posições.
Inflação persistente pressiona o Federal Reserve
As saídas ocorreram logo após a divulgação do índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), métrica preferida do Fed para medir a inflação. O indicador subiu 2,9% em julho, o maior avanço desde fevereiro, reforçando que a inflação continua firme.
Embora os preços da energia tenham ajudado a conter parte da pressão, os custos de serviços subiram 3,6%, refletindo a alta salarial e a demanda aquecida. Analistas destacam que esse tipo de inflação é mais difícil de controlar.
A pressão se intensificou com tarifas adicionais de 10% sobre importações impostas pelo governo Donald Trump, o que elevou o custo de vários produtos básicos. Além disso, para os investidores, o cenário aumenta a incerteza sobre a tão aguardada redução de juros em setembro.
Ethereum mostra resiliência no médio prazo
Mesmo com a fuga recente, os ETFs de Ether mantêm crescimento relevante desde seu lançamento em 2024. As entradas aumentaram 44% em base mensal, saltando de US$ 9,5 bilhões para US$ 13,7 bilhões, impulsionadas por tesourarias corporativas e investidores institucionais.
Atualmente, empresas acumulam 4,4 milhões de ETH, avaliados em mais de US$ 19 bilhões, cerca de 3,7% do total emitido. Para Fabian Dori, diretor de investimentos do banco suíço Sygnum, esse movimento representa “o reconhecimento da proposta de valor do Ethereum após anos de desempenho inferior ao Bitcoin”.