Kalshi lança futuros perpétuos de Solana sob regra da CFTC

  • Kalshi lança contratos perpétuos de SOL sob supervisão da CFTC
  • Produto entra após Ethereum e XRP na linha American Perpetuals
  • XLM, DOGE, SHIB e HBAR devem ser liberados nos próximos dias

A Kalshi ativou nesta quarta-feira (10) a negociação de futuros perpétuos de Solana em sua plataforma regulada nos Estados Unidos. O anúncio foi feito pela própria empresa em publicação no X, com a promessa de zerar taxas durante um período inicial para atrair volume.

O contrato chega sob o selo American Perpetuals, marca registrada pela companhia para oferecer perpétuos a traders americanos dentro do escopo da Commodity Futures Trading Commission (CFTC). A diferença em relação ao futuro tradicional é simples: não há data de vencimento, o que dispensa o rolagem periódica das posições.

O lançamento de SOL ocorre poucos dias depois da estreia dos perpétuos de XRP na mesma plataforma. Antes deles, o Ethereum foi o primeiro ativo da linha, seguindo aprovação concedida pela CFTC para o Bitcoin perpétuo em etapa anterior. A Kalshi confirmou que tanto XRP quanto SOL já passaram pelo crivo regulatório necessário.

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XLM, DOGE, SHIB e HBAR entram na fila

Kalshi

A empresa havia protocolado pedidos para uma cesta ampla de criptomoedas, incluindo Stellar (XLM), Dogecoin (DOGE), Shiba Inu (SHIB) e Hedera (HBAR). Segundo comunicação oficial, esses contratos devem ser ativados nos próximos dias, ampliando a vitrine de altcoins disponíveis para traders americanos sem necessidade de recorrer a plataformas offshore.

Há ainda um pedido em análise para perpétuos baseados em Hyperliquid, que dependeria de aval específico da CFTC para entrar no ar. Em paralelo, o regulador americano estuda novas regras para mercados de previsão, ambiente original da Kalshi, o que pode reformar o desenho do segmento como um todo.

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O movimento ocorre em momento delicado para os ativos envolvidos. O XRP opera a US$ 1,11 (R$ 5,76), em queda de 1,1% no mesmo intervalo. Para uma estrutura nova, abrir contratos em meio à fraqueza dos preços spot serve como teste real de liquidez e demanda direcional.

Solana busca alavanca com fluxo americano

Assim, a entrada da Solana em uma plataforma regulada dos EUA abre caminho para fundos e mesas profissionais americanas que não conseguiam tomar exposição alavancada ao ativo sem usar Binance, Bybit ou OKX. O efeito imediato esperado é maior profundidade de book e potencial estreitamento do funding rate em relação às offshore.

Além disso, vale lembrar que a Solana atravessa um período instável. Conforme noticiamos em análise sobre fluxo das baleias, grandes endereços vinham acendendo alerta para um possível teste em US$ 50. Um derivativo regulado nos EUA pode tanto absorver pressão vendedora quanto amplificar movimentos, dependendo de como o open interest se distribuir.

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Brasil segue dependente de perpétuos offshore

Assim, para o investidor brasileiro, o avanço da Kalshi reforça um descompasso regulatório. Enquanto os EUA caminham para encapsular perpétuos de altcoins sob jurisdição da CFTC, traders brasileiros que operam alavancagem em SOL, XRP ou ETH seguem majoritariamente em Binance Futures, Bybit ou plataformas DEX como Hyperliquid e dYdX. A CVM e o Banco Central ainda não desenharam um marco específico para derivativos cripto, deixando o investidor local em zona cinzenta.

Além disso, há também impacto colateral nas exchanges nacionais. Casas brasileiras que tentaram listar derivativos próprios esbarraram em capital regulatório e custódia. Movimentos como o da Kalshi pressionam o cenário ao mostrar que é possível operar dentro de regra clara — algo que o mercado local cobra há anos, conforme já mostrou a discussão do projeto de lei sobre cripto em tramitação no Congresso.

Open interest será termômetro do produto

A próxima leitura relevante vem do volume e do open interest acumulados pela Kalshi nas primeiras semanas. Se o contrato de SOL repetir trajetória discreta do produto de Ethereum, a tese de demanda institucional reprimida nos EUA perde força. Caso supere rapidamente alguns milhões em OI, o mercado terá evidência de que parte do fluxo offshore migra para terreno regulado.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.