- Long Corridor comprou 100 mil ações da Natural Resource Partners no 1º trimestre
- Posição vale US$ 12,1 milhões e representa 3,7% do portfólio reportável
- NRP acumula alta de 152% em três anos, com CAGR de 36%
Um filing protocolado na SEC em 11 de maio de 2026 revelou que a gestora Long Corridor Asset Management, com sede em Hong Kong, montou uma posição inédita na Natural Resource Partners (NYSE:NRP) durante o primeiro trimestre. A operação envolveu a compra de 100 mil ações, com valor estimado de US$ 11,85 milhões pelo preço médio do período. Ao fim do trimestre, a posição já valia US$ 12,10 milhões.
O detalhe que chama atenção no documento é o peso relativo. A nova fatia ocupa 3,70% do total reportável da gestora no formulário 13F com data-base de 31 de março de 2026. Para uma carteira dominada por gigantes de tecnologia, abrir espaço para uma empresa de royalties minerais sinaliza diversificação fora do trade de inteligência artificial que tomou conta dos portfólios institucionais nos últimos dois anos.
O que a Natural Resource Partners faz
A companhia opera um modelo de negócios baseado em arrendamento de direitos minerais. Detém propriedades de carvão, soda ash, trona e outros recursos naturais nos Estados Unidos e cobra royalties de operadores terceirizados que exploram esses ativos. Também participa diretamente da produção de soda ash, insumo industrial usado em vidro, detergentes e processos químicos.
Os números financeiros mostram uma operação compacta e rentável. A receita dos últimos doze meses ficou em US$ 193,84 milhões, com lucro líquido de US$ 115,73 milhões no mesmo período uma margem líquida próxima de 60%, atípica para o setor de mineração. O dividend yield está em 2,72%, e a ação encerrou o pregão de 11 de maio cotada a US$ 110,12.
Desempenho e sinal de valuation
Em janelas longas, a NRP entregou retorno superior ao índice de referência americano. As ações sobem 152% em três anos, o que equivale a um CAGR de 36%. No mesmo intervalo, o S&P 500 acumulou retorno total de 86%, com CAGR de 23,1%. No recorte de 12 meses, porém, o papel avançou apenas 16,8% e ficou 12,58 pontos percentuais atrás do índice, o que pode explicar parte do interesse de gestores que enxergam um ponto de entrada.
A tese ganha reforço pelo lado do balanço. A empresa reduziu a dívida líquida em 83%, saindo de cerca de US$ 180 milhões para US$ 29 milhões. Mas o múltiplo desafia compradores, o preço sobre receita (P/S) saltou de 0,3x em 2016 para 7,7x, mais que o dobro da média histórica de dez anos. É o tipo de assimetria que separa gestores fundamentalistas em dois campos.
Leitura para o investidor brasileiro
O movimento da Long Corridor acompanha hedge funds asiáticos migrando capital para ativos reais diante das incertezas sobre juros americanos. Com o CPI americano em 3,8%, a janela de cortes monetários ficou mais estreita e empurrou parte do dinheiro para teses defensivas com fluxo previsível, como royalties minerais.
Para o investidor brasileiro com exposição via BDR ou conta internacional, a leitura é dupla. De um lado, a NRP oferece dividendos em dólar atrelados a commodities industriais, o que funciona como hedge cambial natural. De outro, o valuation esticado e a baixa liquidez do papel comparado a nomes como GOOGL, AMZN e MSFT, que dominam o portfólio da própria Long Corridor exigem leitura cuidadosa. A movimentação aparece em documento público da SEC e pode ser conferida nas plataformas de monitoramento de filings institucionais.
O contexto local também influencia o apetite. Enquanto o Banco Central restringe a oferta de cripto por bancos no Brasil, gestores globais redistribuem risco entre ações geradoras de caixa e ativos digitais, em vez de concentrar a aposta em apenas uma classe.