XRP a US$ 1,46 expõe racha entre Wall Street e Binance

  • XRP supera US$ 1,46 com ETFs captando US$ 25,8 milhões em um único dia
  • Ripple Prime levanta US$ 200 milhões em linha de crédito com a Neuberger
  • Futuros da Binance acumulam delta negativo de US$ 434 milhões contra o ativo

O xrp chegou a ser negociado acima de US$ 1,46 nesta semana em meio a um descompasso raro entre dois grupos de investidores. De um lado, fundos listados nos Estados Unidos e desks institucionais aumentam a exposição. Do outro, traders alavancados em exchanges como a Binance seguem apostando contra o movimento.

Esse divórcio entre o mercado à vista e os derivativos transformou o token em um termômetro sobre quem dita o preço em 2026. Ou será a infraestrutura tradicional que finalmente chegou ao ativo, ou a velha base especulativa offshore que sempre dominou seus ciclos.

ETFs puxam demanda spot enquanto futuros resistem

Os ETFs à vista de XRP nos EUA registraram US$ 25,8 milhões em entradas líquidas no dia 11 de maio, o maior fluxo diário desde o início de janeiro, segundo dados da SoSoValue. No acumulado de maio, os quatro fundos já receberam mais de US$ 60 milhões. Desde o lançamento, em 2025, a soma passa de US$ 1,35 bilhão.

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O detalhe relevante para o investidor brasileiro: esse canal regulado abre acesso a alocadores que jamais usariam corretoras cripto offshore. É o mesmo padrão que vimos com os ETFs de XRP nos EUA ganhando tração desde o início do ano e que tende a se replicar no Brasil via BDRs e fundos listados na B3, caso a CVM mantenha o ritmo de aprovações observado em 2025.

No derivativo, a história é oposta. O delta de volume cumulativo dos perpétuos da Binance está em cerca de -US$ 434 milhões, segundo a CryptoQuant. Além disso, o open interest na própria Binance saltou de 207 milhões para quase 232 milhões de XRP entre 30 de abril e 11 de maio. Isso indica que alavancagem vendida volta a se acumular.

No mesmo dia 11, o open interest cresceu US$ 18 milhões na Binance, US$ 10,4 milhões na OKX e US$ 8,5 milhões na Bybit — quase US$ 36,9 milhões de novas posições em três exchanges. As taxas de funding da Binance, aliás, estão negativas há quase três meses. Isso ocorre mesmo com o token subindo 27% no período. Tradução prática: shorts estão pagando longs para manter a aposta baixista.

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XRP ativos

Ripple Prime monta infraestrutura de prime broker

Enquanto traders empilham shorts, a Ripple avança na construção de uma trilha institucional paralela. Em 11 de maio, a empresa anunciou uma linha de crédito de US$ 200 milhões com fundos administrados pela Neuberger Specialty Finance. O recurso é lastreado pela carteira de empréstimos institucionais da Ripple Prime, ex-Hidden Road, adquirida pela companhia em 2025.

Segundo Noel Kimmel, presidente da Ripple Prime, a operação amplia a capacidade de margem e a eficiência de capital da divisão. A receita da plataforma triplicou desde a aquisição, de acordo com a própria Ripple. O comunicado oficial detalha que o saque é flexível e atende prime services e financiamento de margem.

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O movimento posiciona Ripple, XRP e a stablecoin RLUSD dentro de um stack de serviços que historicamente foi domínio de bancos de investimento — custódia, settlement, financiamento e contraparte confiável. Em paralelo, gigantes como a JPMorgan avançam na tokenização em outras redes. Por isso, a corrida por infraestrutura se torna ainda mais competitiva.

XRPL ganha tração de uso institucional

A camada técnica acompanha o movimento. O XRP Ledger recebeu nos últimos meses novos recursos voltados a instituições reguladas: Multi-Purpose Tokens, Permissioned Domains, Permissioned DEX e Token Escrow estendido a moedas emitidas. Isso serve como base para liquidação delivery-versus-payment on-chain.

Além disso, na semana passada, a Ripple testou na XRPL a redenção transfronteiriça de um fundo tokenizado de Treasuries dos EUA ao lado de JPMorgan, Mastercard e Ondo Finance. A Evernorth, treasury focada em XRP, afirma que a atividade na rede cresceu 65% nos últimos 12 meses. Isso soma 71 milhões de transações, puxada por Bitstamp, RLUSD, Justoken, Braza Bank e VERT.

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Assim, se a demanda spot sustentar o ritmo dos ETFs e o taker buy-sell ratio cruzar a paridade, o posicionamento vendido em derivativos vira combustível. Nesse cenário, short squeezes na faixa de US$ 1,50 a US$ 1,60 ficam viáveis. Já o cenário inverso — fluxo à vista esfriando — deixa o open interest inflado vulnerável a desmonte rápido. Esse é um padrão típico de mercados divididos perto de zonas contestadas.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.