- Mubadala elevou em 16% sua posição no IBIT, somando 14,7 milhões de cotas
- Fundo de Abu Dhabi acumula compras no ETF da BlackRock por cinco trimestres seguidos
- Posição combinada dos veículos soberanos da emirado superou US$ 1 bilhão em 2025
O fundo soberano Mubadala, de Abu Dhabi, aumentou em 16% sua participação no iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock no primeiro trimestre de 2026. A posição saltou para 14,7 milhões de cotas, avaliadas em aproximadamente US$ 566 milhões, segundo registro entregue à SEC. É o quinto trimestre consecutivo de elevação na exposição ao maior bitcoin etf do mundo.
Trajetória trimestre a trimestre
A entrada do veículo soberano nos registros públicos aconteceu no quarto trimestre de 2024, com aporte inicial estimado em US$ 436 milhões. No trimestre seguinte, o valor de mercado da posição recuou para US$ 408,5 milhões por causa da retração no preço do Bitcoin, embora o número de cotas tenha avançado.
O salto mais expressivo veio no fim de 2025, quando o ativo digital cruzou a marca de US$ 100 mil e empurrou o portfólio para US$ 630,6 milhões. O dado de Q1 2026 traz um detalhe relevante: mesmo com queda no valor em dólar, a quantidade de cotas seguiu subindo. O fundo comprou na baixa.
Essa leitura importa. Quando uma instituição soberana adiciona cotas durante uma correção, sinaliza convicção de longo prazo — diferente de fluxos de varejo, que tendem a evaporar em janelas de stress. A Mubadala vem fazendo exatamente isso em todos os ciclos desde sua estreia no IBIT.
Abu Dhabi passa de US$ 1 bilhão
A Mubadala não é o único braço soberano do emirado posicionado no ETF. A Al Warda Investments, ligada ao Abu Dhabi Investment Council, reportou separadamente 8,2 milhões de cotas do IBIT, equivalentes a cerca de US$ 408 milhões ao final de 2025. Somadas, as participações de entidades soberanas de Abu Dhabi atravessaram a barreira de US$ 1 bilhão em IBIT.
Outro movimento chamou atenção no terceiro trimestre de 2025: o Abu Dhabi Investment Council triplicou diretamente sua posição no fundo, um dos maiores aumentos individuais já vistos entre compradores soberanos. A leitura combinada indica abordagem coordenada — o emirado trata o Bitcoin como ativo de reserva, não como aposta tática.
Contexto para o investidor brasileiro
Para o mercado local, o dado se soma a um pano de fundo cada vez mais institucional. Enquanto fundos soberanos do Golfo travam Bitcoin em ETFs americanos, o Brasil avança pela porta da custódia bancária. O Bradesco já se prepara para custodiar Bitcoin e stablecoins, gesto que ecoa o mesmo movimento de tesouro estrangeiro visto em Abu Dhabi, ainda que em escala diferente.
A relevância vai além do tíquete. Cinco trimestres de compras consecutivas por um único fundo soberano funcionam como sinal técnico para gestores que monitoram fluxo institucional como contrapeso à volatilidade do varejo. Não por acaso, o IBIT segue puxando a retomada dos fluxos sempre que o mercado encontra base.
IBIT consolida papel de porta de entrada
O ETF da BlackRock detinha mais de 600 mil BTC sob administração em abril de 2026 — cerca de três vezes o volume do fundo da Fidelity, segundo colocado. A liderança técnica explica por que compradores soberanos como Mubadala e o Norges Bank, da Noruega, escolhem o produto como veículo principal de exposição.
Vale lembrar que o dado vem de formulários 13-F, que são retroativos. Ou seja, as posições atuais podem já ser maiores. O comportamento, no entanto, tem padrão claro: a cada janela de queda, os fundos do Golfo aparecem comprando mais cotas, mesmo quando o valor em dólar do portfólio cai. Esse perfil contrasta com as saídas pontuais de investidores de varejo em sessões de stress macroeconômico, e ajuda a explicar por que o estoque de Bitcoin sob custódia institucional continua crescendo apesar da volatilidade no preço.