Ouro cai 2,4% na semana com CPI de 4,2% e Fed sob pressão

  • Ouro fecha semana perto de US$ 4.227 com queda de US$ 103
  • CPI de maio acelera a 4,2%, maior leitura anual desde 2023
  • FOMC de quarta-feira terá Kevin Warsh estreando como presidente do Fed

O ouro encerra a semana sob pressão e devolve parte do prêmio acumulado em junho, com a cotação à vista perto de US$ 4.238 por onça na manhã de sexta-feira. O recuo é de aproximadamente US$ 103 em relação ao fechamento anterior, próximo de US$ 4.330, equivalente a uma queda de pouco mais de 2,4% no período. O movimento devolve o metal para a parte baixa da faixa de consolidação que vinha sendo testada desde o início do mês.

O gatilho do recuo veio do dado de inflação. O CPI dos Estados Unidos referente a maio mostrou alta anual de 4,2%, a leitura mais quente desde 2023, puxada principalmente pelos preços de energia. Combinado com o relatório de emprego forte divulgado na sexta-feira anterior, o número obrigou o mercado a recalcular o ritmo de cortes de juros do Federal Reserve e devolveu protagonismo à curva de juros real.

CPI quente empurra corte de juros para trás

Inflação persistente não é, em tese, ruim para o ouro. No longo prazo, é justamente um dos motivos pelos quais investidores institucionais carregam o metal em carteira. O problema é o curto prazo, quando o dado força o mercado a adiar cortes ou até flertar com a hipótese de alta, as taxas reais sobem e o custo de oportunidade de manter um ativo sem rendimento aumenta.

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O Fed está no período de silêncio que antecede a reunião, o que deixou o mercado sem âncora verbal e amplificou o peso do dado duro. O resultado foi uma reprecificação rápida, traders agora trabalham com a hipótese de que a estreia de Kevin Warsh como presidente do Fed, na próxima quarta-feira, dificilmente trará um giro dovish imediato. O cenário-base virou manutenção da taxa, comunicado cauteloso e coletiva dissecada palavra por palavra.

Cessar-fogo com Irã tira prêmio de risco

A geopolítica adicionou uma segunda camada de pressão. Notícias sobre o cancelamento de ataques ao Irã por Trump derrubaram petróleo e aliviaram juros dos Treasuries. O efeito secundário foi a perda de parte do prêmio de risco que vinha sustentando o ouro acima de US$ 4.400.

É um cruzamento de forças contraditórias. Um Oriente Médio mais estável reduz a busca por proteção e alivia pressões inflacionárias ligadas ao petróleo. Nesta semana, o canal de juros falou mais alto. O movimento dialoga com a leitura que o mercado cripto fez do mesmo acordo, em que o Bitcoin reagiu ao alívio geopolítico antes de devolver parte do ganho.

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Prata resiste e paládio sobe 7%

Dentro do complexo de metais, o desempenho foi heterogêneo. A prata à vista é negociada perto de US$ 68,72 por onça, alta de cerca de US$ 0,90 na semana, sustentada por demanda industrial mais firme. Platina recuou perto de 3%, enquanto o paládio foi o destaque positivo, com ganho superior a 7%. O índice DXY do dólar afrouxou na quinta e sexta-feira, mas o alívio veio tarde demais para reverter a semana.

Para o investidor brasileiro, o recado tem leitura prática. Com o dólar a R$ 5,0623, qualquer movimento relevante no metal se traduz em variação dupla na carteira local preço internacional mais câmbio. Fundos de ouro listados na B3 e ETFs sintéticos tendem a refletir essa combinação nas próximas sessões. O paralelo com o universo cripto também vale: o mesmo CPI que machucou o ouro está no radar dos ETFs de Bitcoin, que perderam US$ 2,1 bilhões em junho, mostrando que os ativos de reserva alternativos estão se movendo no mesmo bloco macro.

Warsh estreia em FOMC com mercado vendido em ouro

A próxima quarta-feira concentra o risco. O calendário oficial do FOMC confirma a reunião como primeira sob comando de Warsh. O mercado não posiciona corte, mas vai medir tolerância à inflação acima da meta. Se o ouro reconquistar a casa dos US$ 4.300, a queda desta semana se converte em reset corretivo. Se falhar, o próximo movimento dependerá dos juros reais e do retorno da demanda física ao mercado.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.