- Hal Finney projetou Bitcoin entre US$ 10 milhões e US$ 22 milhões até 2045
- ARK Invest mantém alvo de US$ 1,5 milhão para BTC em 2030
- Ethereum a US$ 100 mil exigiria valorização de quase 5.900%
Enquanto o Bitcoin opera ao redor de US$ 63.803 e o Ethereum trava perto de US$ 1.725, voltam ao debate as previsões mais agressivas já feitas para os dois maiores criptoativos. São números que beiram a ficção financeira, mas saem de nomes com credibilidade institucional de Hal Finney à Fidelity, passando pela ARK Invest de Cathie Wood.
O contraste entre o preço atual e as metas projetadas escancara o tamanho da distância entre tese e execução. Para alcançar o piso da projeção de Finney, o Bitcoin precisaria avançar mais de 15.600%. Já o Ether teria que subir cerca de 5.900% para encostar nos US$ 100 mil estimados pelo analista Brian Schuster.
Finney, Fidelity e ARK radicalizam meta do Bitcoin
A previsão mais ambiciosa para o BTC veio do próprio Hal Finney, primeiro receptor de uma transação em Bitcoin. Em mensagem antiga endereçada à comunidade cypherpunk, ele imaginou um cenário em que o BTC se tornaria o principal sistema de pagamentos global, com cada moeda valendo entre US$ 10 milhões e US$ 22 milhões até 2045.
A Fidelity levou o exercício ainda mais longe em relatório institucional, traçando uma rota hipotética em que a escassez programada e a dominância como reserva de valor empurrariam o preço para US$ 1 bilhão por unidade até 2038. A ARK Invest, mais conservadora dentro do espectro otimista, sustenta seu bull case em US$ 1,5 milhão por Bitcoin em 2030, ancorada na adoção como classe global de ativos.
Vale o contraste com projeções mais recentes e ancoradas em ciclo. O Standard Chartered manteve a meta de US$ 100 mil para o BTC e declarou o fim do inverno cripto um alvo modesto se comparado às projeções de Finney, mas que serve como termômetro do que o mercado realmente precifica no curto prazo.
Ethereum aposta na camada de utilidade
No caso do Ether, as teses ultrabullish abandonam o argumento da escassez e abraçam a narrativa de infraestrutura financeira. Brian Schuster defende que a rede capture fatia relevante do mercado de liquidação global, justificando o salto até US$ 100 mil.
A VanEck trabalha com cenário base de US$ 11.800 até 2030, com tetos mais altos em cenários otimistas. Analistas ligados à Fundstrat, do time de Tom Lee, já flertaram com US$ 62 mil por ETH, apostando em multiplicadores de 50 a 100 vezes puxados pelo crescimento das redes Layer 2. A própria casa, aliás, segue defendendo a tese, Lee recentemente rebateu alerta sobre crise de financiamento no ecossistema Ethereum.
Conta em real expõe escala das projeções
Convertidas para a moeda brasileira, as cifras viram exercício teórico quase irreal. Com o dólar a R$ 5,1500, o cenário de Finney colocaria cada Bitcoin entre R$ 51,6 milhões e R$ 113,5 milhões. A projeção da Fidelity para 2038 supera R$ 5 bilhões por moeda, acima do valor de muitas empresas.
Para o investidor brasileiro, esses números servem menos como guia de alocação e mais como referencial de tese. Quem compra BTC ou ETH hoje enfrenta as mesmas projeções, mas depende de fatores regulatórios e macroeconômicos.
Realidade on-chain mostra adoção lenta
O próprio mercado age como contrapeso. A velocidade de adoção segue abaixo do necessário para sustentar curvas tão íngremes, e os fluxos institucionais oscilam basta lembrar que a BlackRock chegou a vender 1.000 BTC pelo IBIT em meio à defesa do suporte de US$ 60 mil. Modelos do tipo S2F e power law, que sustentam parte das projeções de longo prazo, têm sido revisados após desvios sucessivos nos últimos ciclos. Os alvos de Finney, Fidelity e ARK seguem como hipóteses de teto, não como expectativa central do consenso atual.