- Mineradores enfrentam pressão extrema com BTC perto do custo
- Queda forte acelera risco de fechamento e consolidação no setor
- Derivativos sofrem liquidações bilionárias após colapso do Bitcoin
O Bitcoin despencou para menos de US$ 64.000 na quinta-feira e reacendeu alertas sobre a saúde financeira das mineradoras. A forte queda colocou o preço muito próximo do custo médio de produção de várias empresas do setor.

O BTC já perdeu 50% desde o pico de outubro, movimento que provocou pressões intensas em toda a indústria. Hoje, analistas avaliam se o preço já caiu abaixo do ponto de equilíbrio de mineradores mais vulneráveis.
A queda de 14% em apenas 24 horas intensificou o medo no mercado e colocou em circulação um gráfico popular da Checkonchain. O indicador mostra o chamado preço de regressão de dificuldade do BTC, que estava em US$ 86.000, bem acima da cotação atual.

Pressão cresce sobre mineradores de alto custo
Mesmo com a viralização do gráfico, especialistas pedem cautela. Julio Moreno, chefe de pesquisa da CryptoQuant, afirmou que o número não reflete o custo real da mineração. Ele explicou que a fórmula usa regressão estatística e não inclui variáveis práticas importantes.
Moreno citou fatores como preço de energia, eficiência do hardware ASIC, tempo de operação e custos de mão de obra como elementos que alteram bastante a conta final. Segundo ele, estimativas realistas apontam para uma faixa entre US$ 70.000 e US$ 80.000.
Ainda assim, o valor continua acima da cotação atual do Bitcoin, o que pressiona mineradores menos eficientes. Empresas listadas em bolsa costumam operar com custos mais baixos por causa da escala, mas mesmo essas já começam a sentir o impacto.
A BlocksBridge estima hoje um custo médio próximo de US$ 60.000, o que ainda mantém a atividade rentável. No entanto, algumas companhias aparecem em situação bem mais delicada.
Empresas mais eficientes tendem a sobreviver
A NYDIG, que ampliou operações com uma série de aquisições, tem o maior custo implícito, US$ 106.000 por BTC minerado, segundo dados recentes. Por outro lado, a Iris Energy opera com um dos menores custos do setor, perto de US$ 39.208, graças a contratos energéticos competitivos e uso de fontes hidrelétricas e eólicas.
O mercado aguarda agora os novos relatórios de desempenho das gigantes Riot Platforms e MARA Holdings, previstos para o fim do mês. A expectativa é que essas métricas mostrem até que ponto o choque de preços atingiu a indústria.
Com a queda do BTC se aproximando do custo de produção, analistas como Sharma afirmam que o setor pode entrar em uma fase de redução de operações, desaceleração da taxa de hash e consolidação entre grandes players.
A situação tende a ganhar ainda mais intensidade com o próximo ajuste da dificuldade do Bitcoin, previsto para 7 de fevereiro. Além disso, a Coinwarz estima que o índice pode cair 13%, aliviando parcialmente a pressão sobre mineradores.
A forte volatilidade também provocou um impacto imediato no mercado de derivativos. Segundo a CoinGlass, mais de US$ 2 bilhões foram liquidados nas últimas horas. Apenas contratos ligados ao Bitcoin somaram US$ 1,11 bilhão, incluindo uma liquidação de US$ 12 milhões na Binance.
Ainda mais, com a rápida deterioração do mercado, especialistas apontam que mineradores caminham para um dos momentos mais desafiadores desde o último ciclo de baixa.

