- RUNE sobe mais de 13% após ataque de US$ 6,3 bilhões à Binance
- ZachXBT identifica passagem de recursos roubados pela THORChain
- Protocolo afirma que validadores conseguem suspender redes, mas não bloquear operações individuais
O rastreamento do hack de US$ 6,3 bilhões contra a Binance voltou a colocar a THORChain no centro das transferências de recursos roubados. Seu token, RUNE, subiu mais de 13% nesta sexta-feira, 30 de outubro, enquanto investigadores identificavam movimentações pelo protocolo.
ZachXBT informou que valores retirados da Binance passaram pela THORChain antes de chegar a um endereço na rede Ethereum. Recursos do ataque à Bitget, ocorrido em setembro, também alcançaram essa carteira.
A convergência reúne transferências de dois episódios distintos em um mesmo ponto de rastreamento. Ela não estabelece, isoladamente, quem controla o endereço ou quanto do dinheiro roubado permanece disponível para recuperação.
O ataque à Binance acrescentou outro episódio à sequência de roubos associados a grupos norte-coreanos. TRM Labs e Chainalysis vincularam o caso ao TraderTraitor, segundo as informações divulgadas sobre a investigação.
RUNE sobe 13% enquanto BNB recua 6%
A valorização do RUNE ocorreu durante uma sessão de queda entre os principais criptoativos. Às 7h06 de Brasília, o BNB recuava 6% em 24 horas, negociado a US$ 701,84.
As duas variações usam referências diferentes: a alta do RUNE descreve o movimento registrado na reportagem, enquanto o dado do BNB cobre 24 horas. Não representam uma comparação sincronizada.
Também falta uma medida de volume negociado do RUNE que permita avaliar a participação financeira no avanço. O percentual de preço, sozinho, não demonstra entrada líquida de capital nem identifica os compradores.
O funcionamento da THORChain ajuda a delimitar essa relação. Conforme a documentação do protocolo, suas trocas conectam ativos de diferentes blockchains por meio de reservas de liquidez que utilizam RUNE.
Uma operação entre dois ativos pode passar economicamente pelo RUNE sem exigir que o usuário mantenha o token após a troca. Assim, processamento de recursos e demanda permanente pelo ativo são medidas distintas.
Maior movimentação também não equivale automaticamente a valorização proporcional. O resultado depende da liquidez disponível e das ordens executadas; os dados apresentados não isolam esses fatores na alta desta sexta-feira.
Bitget cobrou bloqueio após roubo de US$ 388 milhões
Antes da Binance, a Bitget perdeu US$ 388 milhões em um ataque cujos recursos também circularam pela THORChain. ZachXBT afirmou que esse episódio foi atribuído ao TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte.
Gracy Chen, presidente-executiva da Bitget, pediu ao protocolo que bloqueasse os endereços do invasor. A executiva contestou o uso da descentralização como justificativa para processar valores identificados como roubados.
“Descentralização é um princípio de projeto, não um escudo para facilitar fundos sabidamente roubados”, afirmou Chen. A cobrança buscava uma intervenção dirigida às carteiras relacionadas ao ataque.
A THORChain rejeitou o pedido. Sua resposta foi que a rede não dispõe de mecanismo para bloquear trocas individuais, embora os operadores de nós consigam interromper negociações em escala maior.
Essa diferença define o alcance da ferramenta disponível: suspender operações de uma blockchain também afeta transações sem ligação com o roubo. Um bloqueio geral não reproduz a seleção de endereços solicitada pela exchange.
Roubo de US$ 1,4 bilhão da Bybit dividiu colaboradores
Em fevereiro de 2025, hackers norte-coreanos usaram a THORChain para movimentar parte dos recursos do ataque de US$ 1,4 bilhão à Bybit. O processamento dessas transferências provocou divergências entre participantes do projeto.
O desenvolvedor principal identificado como Pluto anunciou sua saída depois que uma interrupção nas negociações de Ether foi revertida. A disputa envolveu diretamente a continuidade das operações durante o rastreamento dos valores.
TCB, um dos validadores, também ameaçou deixar a rede caso ela continuasse processando recursos associados à Coreia do Norte. Na posição apresentada após o caso Bitget, o protocolo manteve a suspensão por blockchain ou de toda a rede como instrumentos disponíveis.



