- Strategy carrega 843.706 BTC com preço médio de US$ 75.699 e prejuízo de 18%
- Saylor publica gráfico de aquisições e sinaliza nova compra para esta segunda
- JPMorgan alerta que firma pode precisar reconstruir reservas em dólar
A Strategy, empresa comandada por Michael Saylor, voltou ao centro do debate cripto neste fim de semana. Em publicação no X no domingo, o presidente executivo escreveu que “é um bom momento para adicionar mais pontos”, junto ao gráfico de aquisições de Bitcoin da companhia. A frase é o aviso clássico que costuma anteceder o anúncio formal de uma nova compra, divulgado por meio de um 8-K na manhã de segunda-feira.
Desta vez, o tom foi mais direto. Em vez de apenas insinuar, Saylor posicionou explicitamente os preços atuais como oportunidade. O histórico de 8-Ks na SEC mostra que o padrão se repetiu dezenas de vezes nos últimos quatro anos.
843.706 BTC com preço médio de US$ 75.699
O balanço atual da firma é desconfortável. A Strategy detém 843.706 BTC a um custo médio de US$ 75.699. Com o Bitcoin sendo negociado a US$ 61.653, a posição está cerca de US$ 11,7 bilhões no vermelho, o equivalente a aproximadamente 18% de perda não realizada.
O CEO Phong Le respondeu publicamente ao post de Saylor reforçando a tese.
“Nossa estratégia corporativa é aumentar o Bitcoin líquido e o Bitcoin por ação ao longo do tempo. Rumores em contrário são apenas rumores”, escreveu.
A declaração tenta conter especulações sobre eventual mudança de rota após a polêmica venda registrada em maio.
Entre 26 e 31 de maio, Saylor vendeu 32 BTC a um preço médio líquido de US$ 77.135 para honrar dividendos das preferenciais STRC. Se uma nova compra for confirmada nesta semana no patamar atual, a matemática implícita coloca a aquisição cerca de 20% abaixo do valor da venda recente um arbitragem de balanço que pode ser usada como narrativa de defesa junto aos acionistas.
JPMorgan aponta caixa em US$ 900 milhões
O JPMorgan comunicou clientes na semana passada que a Strategy pode precisar recompor reservas em dólar para restaurar a confiança dos investidores. As reservas em USD da empresa fecharam maio em US$ 900 milhões, ante cerca de US$ 2 bilhões antes da recompra de US$ 1,5 bilhão em notas conversíveis com vencimento em 2029.
O fôlego de captação segue ativo, mas em ritmo modesto. A companhia levantou US$ 128,3 milhões pelo programa at-the-market do MSTR na semana encerrada em 31 de maio. Não houve emissões de STRC reportadas no período. As ações MSTR caíram 6% na sexta-feira e recuaram mais 0,41% no after-hours.
O que muda para quem opera bitcoin em real
Para o investidor brasileiro, a movimentação tem peso duplo. A Strategy se tornou um dos termômetros mais observados de demanda institucional por BTC, e cada anúncio de compra ou venda mexe com o sentimento global em questão de minutos. Com o Bitcoin cotado a R$ 318.314 e queda de 2,9% em 24 horas, o mercado local sente direto o reflexo via fluxo nas exchanges nacionais e nos ETFs listados na B3.
O caso também reabre um debate antigo no Brasil, a contabilização de cripto em balanço corporativo. A CVM ainda não publicou diretrizes específicas para empresas listadas que adotem bitcoin como reserva de tesouraria, modelo que poucas companhias brasileiras testaram. A perda bilionária da Strategy alerta empresas brasileiras sobre riscos de tesouraria sob regras IFRS mais conservadoras.
Analistas que acompanham a empresa, como já noticiado em projeção do Standard Chartered, estimam que uma nova compra pode girar em torno de 3.200 BTC. A última aquisição confirmada foi de 1.550 BTC por US$ 101 milhões. Os ETFs de Bitcoin acumularam US$ 326 milhões em resgates na semana, deixando a Strategy momentaneamente como possível principal comprador relevante do mercado spot caso o 8-K se confirme.