- Strategy detém 846.842 BTC avaliados em cerca de US$ 54,32 bilhões
- Saylor publica gráfico de pontos que costuma anteceder novas compras
- Empresa carrega US$ 6,75 bilhões em dívida e alavancagem líquida de 10%
Michael Saylor voltou a movimentar o mercado neste sábado. O presidente executivo da Strategy publicou em sua conta no X o já tradicional gráfico de pontos laranja que mapeia cada compra de bitcoin feita pela companhia desde 2020. A imagem, acompanhada da frase “fica melhor com mais pontos”, costuma anteceder o anúncio de novas aquisições — e o mercado interpretou o recado.
O gráfico exibe a posição atual de 846.842 BTC, avaliados em cerca de US$ 54,32 bilhões ao preço atual de US$ 63.981 por moeda. O preço médio de aquisição está em US$ 75.658, resultado de 112 operações de compra registradas nos últimos seis anos. A linha auxiliar do dashboard acompanha o custo médio consolidado da tesouraria.
Compra de 1.587 BTC precedeu novo recado
A sinalização ocorre poucos dias após a última operação confirmada. Na semana passada, a Strategy anunciou em comunicado oficial a aquisição de 1.587 BTC por aproximadamente US$ 100 milhões, elevando o estoque ao patamar atual. O ritmo de compras semanais tem se mantido mesmo com o bitcoin operando abaixo do preço médio de entrada da companhia — um detalhe que pesa no balanço.
Com a cotação atual em torno de R$ 330 mil no Brasil, a Strategy carrega prejuízo não realizado sobre o custo médio de US$ 75.658. Ainda assim, Saylor reforça que a estratégia é de acumulação plurianual, e o mercado tem testado essa narrativa em ciclos anteriores, incluindo a queda do BTC abaixo de US$ 16 mil em 2022.
Dívida de US$ 6,75 bilhões e alavancagem de 10%
O painel divulgado pela companhia traz uma fotografia mais ampla do balanço. Além das reservas em bitcoin avaliadas em US$ 54,16 bilhões, a Strategy mantém cerca de US$ 1,1 bilhão em caixa. Do outro lado, carrega US$ 6,75 bilhões em dívida, alavancagem líquida próxima de 10% e dividendos anuais estimados em US$ 1,71 bilhão sobre suas ações preferenciais.
O indicador mNAV — relação entre valor de mercado e ativo líquido — está em 1,13, o menor patamar dos últimos meses. A volatilidade implícita das ações segue em 64%, com volatilidade histórica de 75% em 30 dias. São números que reforçam por que parte do mercado vê na Strategy uma aposta alavancada em bitcoin, mais arriscada do que um ETF tradicional como o IBIT.
STRC pressionada e leitura de Ki Young Ju
O contexto recente, porém, é de cautela. Analistas on-chain têm questionado se as compras agressivas ainda têm força para mover o preço como em ciclos passados. O fundador da CryptoQuant, Ki Young Ju, argumentou recentemente que as aquisições de Saylor não evitam a estagnação do BTC, à medida que a demanda institucional via ETFs perde tração. As ações preferenciais STRC, da própria Strategy, têm renovado mínimas — sinal de que o mercado precifica risco crescente no modelo de captação.
Para o investidor brasileiro, o ponto sensível é a correlação. Como o BTC cotado em reais é amplamente influenciado pelos movimentos do mercado norte-americano, qualquer ruptura no apetite da Strategy por novas compras tende a refletir nas exchanges locais — Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso negociam o ativo com prêmio sobre o dólar paralelo, ampliando a sensibilidade a fluxos institucionais. Vale lembrar que a CVM ainda não regulou ETFs de cripto com a mesma estrutura do mercado americano, deixando produtos como o IBIT acessíveis apenas via BDR ou corretora internacional.
Saylor defende Bitcoin como capital digital global
Em paralelo ao gráfico, Saylor voltou a defender o papel do bitcoin como ativo de reserva global. Em entrevistas recentes, descreveu ideologias concorrentes que moldam a adoção e reforçou a tese do capital digital baseada em oferta fixa e estrutura descentralizada. A próxima atualização de compras, esperada para segunda-feira, deve confirmar se o post desta semana foi mesmo o prenúncio padrão — ou apenas uma demonstração de convicção em meio à queda do mNAV.