Mesmo em problemas, Saylor sinaliza nova compra de Bitcoin

  • Saylor publicou novo gráfico do tracker de Bitcoin sugerindo compra iminente
  • mNAV da Strategy caiu abaixo de 1 pela primeira vez neste ciclo
  • Última compra divulgada foi de 520 BTC por US$ 35 milhões em 22 de junho

Michael Saylor voltou a provocar o mercado com mais uma pista sobre uma possível compra de Bitcoin pela Strategy. Em publicação no X, o executivo postou o rastreador de BTC da companhia acompanhado da frase “vamos precisar de mais gráficos” — o tipo de sinalização que, em ocasiões anteriores, antecedeu anúncios oficiais de aquisição de bitcoin.

Desta vez, porém, o contexto é diferente. O mNAV da Strategy — múltiplo que compara o valor de mercado da empresa ao valor líquido dos bitcoins que ela carrega — caiu abaixo de 1,0 pela primeira vez neste ciclo. Na prática, a ação está sendo negociada por menos do que o BTC no balanço.

Última compra foi de 520 BTC em 22 de junho

Bitcoin em queda

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A aquisição mais recente divulgada pela companhia ocorreu em 22 de junho. A Strategy comprou 520 BTC por cerca de US$ 35 milhões, a um preço médio de US$ 67.068 por moeda. Com a operação, o estoque total subiu para 847.363 BTC, segundo o tracker oficial.

O post desta semana levanta a dúvida sobre uma nova compra na semana que vem. E também coloca holofote sobre como Saylor pretende continuar financiando aquisições enquanto a própria valuation da empresa derrete. O Bitcoin é negociado nesta tarde a US$ 59.982, ou cerca de R$ 310 mil, com recuo de 1,2% em 24 horas.

O modelo da Strategy sempre funcionou melhor quando as ações eram negociadas acima do valor dos bitcoins em caixa. Nessas condições, a empresa emitia novas ações com prêmio, comprava BTC e elevava a quantidade de bitcoin por ação dos acionistas existentes.

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Esse mecanismo perde força com o mNAV em 0,80 — patamar atingido após o BTC romper para baixo dos US$ 60 mil. A própria gestão já indicou que emitir ações abaixo de cerca de 1,22x do mNAV tende a destruir valor por ação. Abaixo desse limite, captar via equity vira diluição, não acumulação.

Se a empresa insistir em emitir novas ações ordinárias com mNAV travado em 0,80, cada acionista termina com menos Bitcoin embutido. Daí a pergunta que circula entre analistas: faz sentido continuar comprando BTC agora, ou Saylor deveria primeiro reconstruir o prêmio de mercado da ação?

STRC no pior desconto histórico

A pressão não está limitada às ações ordinárias. A Strategy também usa preferenciais — como a STRC — para bancar compras e obrigações de dividendos. E essa frente também está estressada: a STRC negocia em desconto recorde ante o alvo de US$ 100, enquanto a posição em Bitcoin acumula prejuízo de bilhões em relação ao custo médio.

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Preferenciais permitiriam levantar caixa sem queimar ações ordinárias. Mas, com a STRC pressionada, o custo dessa emissão sobe na mesma proporção. Cada porta de financiamento agora chega com um pedágio mais caro — e o debate sobre solvência da estrutura migra do nicho cripto para o radar de fundos tradicionais.

Para o investidor brasileiro, o caso da Strategy importa por dois motivos. Primeiro, porque a empresa virou proxy de risco do Bitcoin em Wall Street: liquidações forçadas em MSTR podem alimentar quedas adicionais no BTC, exatamente o alerta feito por Brad Garlinghouse sobre a alavancagem da Strategy. Segundo, porque mostra o limite da chamada “engenharia financeira corporativa” como vetor de demanda — tema que tem aparecido nas análises do caixa apertado de Saylor diante de US$ 7,9 bilhões em dívida.

Saylor pode comprar, mas com capital mais caro

O argumento dos otimistas é direto: a Strategy deve seguir comprando enquanto o BTC opera abaixo dos picos, porque a tese de longo prazo segue intacta. Saylor já reforçou, em publicações no X, que o estoque acumulado e o acesso a capital dão fôlego para continuar executando o plano mesmo em ciclos adversos.

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Os céticos olham para a qualidade desse capital. Comprar mais BTC com mNAV abaixo de 1 e STRC em desconto significa pagar caro por cada novo satoshi adicionado ao balanço. Por enquanto, o post de Saylor é apenas um sinal — mas o histórico mostra que essas pistas costumam preceder filings oficiais. A próxima divulgação dirá se a máquina de acumular Bitcoin ainda gira sem o prêmio de mercado que a alimentou por anos.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.