- Garlinghouse mantém visão otimista para o Bitcoin como ouro digital
- CEO da Ripple acusa Strategy de amplificar queda com modelo alavancado
- Ações preferenciais STRC operam US$ 25 abaixo do valor de paridade
O CEO da Ripple, Brad Garlinghouse, voltou a defender o Bitcoin como reserva de valor digital, mas direcionou críticas pesadas ao modelo financeiro adotado pela Strategy, de Michael Saylor. Em entrevista ao programa Squawk on the Street, da CNBC, no dia 26 de junho, o executivo afirmou que a estratégia alavancada da companhia ampliou a pressão vendedora durante o atual ciclo de baixa do mercado cripto.
A fala chega em um momento delicado. O BTC opera em US$ 60.160 (R$ 311.382), patamar bem distante das máximas registradas no início do ciclo. Para investidores brasileiros que acompanham o ativo via exchanges locais ou ETFs listados na B3, o debate sobre o papel das tesourarias corporativas ganhou peso novo.
Bitcoin como ouro digital na visão da Ripple
Garlinghouse comparou a movimentação de Bitcoin com a logística do ouro físico. Segundo ele, transferir cerca de US$ 300 bilhões em barras de metal levaria anos e custaria bilhões em operação, enquanto o mesmo valor em BTC circula em minutos pela rede.
“Estou otimista com o Bitcoin”, resumiu o executivo.
A declaração reforça posicionamento recorrente do CEO, que já projetou que o ativo pode atingir US$ 180 mil até o fim de 2026, impulsionado por adoção institucional e melhora das condições macroeconômicas.
O argumento de Garlinghouse se ancora em utilidade. Ele defendeu que ativos digitais constroem liquidez, demanda e confiança quando resolvem problemas em escala e que o BTC cumpre esse papel ao consolidar a função de reserva digital. A posição contrasta com a leitura de parte do mercado, que enxerga rivalidade entre Ripple e Bitcoin pela disputa de narrativa institucional.
STRC opera US$ 25 abaixo do par
O ponto central da crítica recaiu sobre a engenharia financeira da Strategy. Garlinghouse apontou que as ações preferenciais perpétuas STRC negociam cerca de US$ 25 abaixo do valor de paridade de US$ 100. O papel paga dividendo anual de 11,50%, ajustado mensalmente para tentar sustentar a cotação próxima ao par.
“Porque eles estavam usando alavancagem Michael Saylor caracterizaria de forma diferente, mas no fim das contas era alavancado e isso começa a compor negativamente”, afirmou.
O CEO da Ripple completou, “o time de Saylor não estava focado no que importa, e isso prejudicou o mercado como um todo”.
A crítica não vem isolada. A Strategy chegou a enfrentar pressão de caixa com dívida de US$ 7,9 bilhões à vista, situação que escancarou o risco do modelo. A empresa vendeu 32 BTC recentemente para cobrir dividendos das ações preferenciais uma quebra simbólica da estratégia de acumulação que sustentou a tese da companhia por anos. Em seguida, voltou a comprar quantidade superior à vendida, mas a sinalização permaneceu no radar.
Efeito dominó em exchanges e ETFs brasileiros
O risco apontado por Garlinghouse extrapola a Strategy. Diversas tesourarias adotaram o modelo Saylor, vinculando dívida corporativa ao preço do Bitcoin e ampliando riscos financeiros sistêmicos. Quando o ativo cai, a engrenagem trabalha contra os próprios acumuladores.
No Brasil, o reflexo aparece no fluxo dos ETFs locais e no comportamento dos investidores que utilizam BDRs da MSTR como exposição indireta. Os ETFs de Bitcoin nos EUA já registraram US$ 1,79 bilhão em saques semanais, movimento que costuma se propagar para o mercado tupiniquim com um a dois dias de atraso. O avanço da Ripple em parcerias bancárias também coloca a Ripple em posição de explorar o vácuo deixado pela tesouraria corporativa centrada em BTC.
Os comentários de Garlinghouse circularam após a entrevista oficial à CNBC. Executivo separou Bitcoin da Strategy e abriu debate técnico que poucos líderes do setor enfrentam publicamente diante de Saylor.