- SBI Crypto encerra pool de mineração de Bitcoin em 31 de julho
- Operação era a 11ª maior por hash rate segundo o Hashrate Index
- Matriz japonesa fecha compra da exchange Bitbank por US$ 289 milhões
A SBI Crypto, subsidiária integral do conglomerado financeiro japonês SBI Holdings, decidiu abandonar o negócio de mineração de Bitcoin. A empresa comunicou que seu pool encerrará as atividades em 31 de julho, sem detalhar os motivos da saída.
A operação figura hoje como o 11º maior pool de mineração de BTC do mundo por hash rate, segundo dados do Hashrate Index. Além de Bitcoin, o serviço também permitia minerar Bitcoin Cash e Litecoin este último com queda de 3% no ano até esta quinta-feira, cotado a US$ 43,71.
Em nota, a companhia afirmou que o pool seguirá funcionando normalmente até a data de corte.
“Nosso objetivo é continuar oferecendo operações estáveis e confiáveis até o encerramento programado”, disse a firma na comunicação oficial.
Clientes seguirão recebendo os pagamentos proporcionais aos blocos encontrados até o último dia.
SBI encaminha clientes para Braiins e Luxor
Para amenizar o impacto sobre os mineradores que dependiam da estrutura, a SBI Crypto informou já ter conduzido “discussões comerciais e técnicas” com operadores concorrentes. Os nomes citados são Braiins e Luxor, dois dos maiores pools ocidentais.
A empresa afirmou que alguns desses operadores devem oferecer “programas especiais ou condições preferenciais” para quem migrar da SBI. Mineradores brasileiros e latino-americanos que utilizavam o serviço japonês precisarão avaliar rapidamente onde realocar o hash rate para não perder receita em julho.
O pool funciona como um consórcio, pequenos e médios mineradores agrupam capacidade computacional para competir por blocos e dividem as recompensas em BTC proporcionalmente ao poder de cálculo aportado. Sem esse arranjo, apenas gigantes com dezenas de MW conseguem viabilizar mineração solo lucrativa no atual ciclo.
Bitcoin a US$ 61 mil e margem apertada para mineradores
A decisão da SBI ocorre em um momento delicado para o setor. O Bitcoin está negociado em US$ 61.690, alta de 2,8% em 24 horas, mas ainda mais de 50% abaixo do topo histórico de US$ 126.080 registrado em outubro de 2025. Em reais, a cotação está em R$ 321.322.
Com o preço deprimido e a dificuldade de rede em patamar recorde, muitas operações passaram a operar no vermelho após o halving. A saída da SBI se soma a movimentos parecidos. No ano passado, a canadense Bitfarms, listada em bolsa, decidiu encerrar a mineração e se rebatizou como Keel Infrastructure, focada em infraestrutura para inteligência artificial.
Outros players fizeram acordos bilionários com hyperscalers de IA sem abandonar a mineração mas realocaram capacidade de GPUs e energia contratada para servir modelos de linguagem. A tendência tem sido apontada por analistas como uma ameaça de longo prazo à descentralização do hash rate global.
SBI Holdings compra Bitbank por US$ 289 milhões
Apesar de cortar o braço de mineração, o conglomerado japonês não está saindo do universo cripto. Nesta mesma semana, a matriz SBI Holdings anunciou a aquisição da exchange Bitbank por US$ 289 milhões, uma das maiores corretoras de ativos digitais do Japão. O movimento reforça a aposta em custódia, negociação e serviços financeiros regulados, em vez de infraestrutura de rede.
A leitura editorial é clara: a SBI está trocando um negócio de margem baixa e alta intensidade energética por um segmento com receita recorrente e menor risco operacional. É a mesma lógica que orienta escolhas de tesourarias como a da Metaplanet, terceira maior do mundo em BTC, e da K Wave, que zerou reserva para quitar dívida o Japão está bifurcando entre acúmulo corporativo e retração operacional.
Para o mercado brasileiro, o efeito prático é limitado nenhum grande pool nacional depende da SBI. Ainda assim, exchanges locais que oferecem produtos de exposição a mineração via ETF passam a acompanhar de perto a redistribuição do hash rate global entre Foundry, AntPool, ViaBTC, Braiins e Luxor nas próximas semanas.