Empresa com mais de 658 Bitcoins abando estratégia de BTC e vai vender tudo

  • Sequans vende mais de 80% do BTC e quita toda dívida convertível
  • Empresa mantém 658 BTC livres e abandona estratégia de tesouraria cripto
  • Acionistas que entraram no topo acumulam perdas superiores a 90%

Menos de um ano após anunciar sua aposta em Bitcoin como ativo de tesouraria, a Sequans Communications (NYSE: SQNS) jogou a toalha. A fabricante francesa de semicondutores para IoT celular concluiu nesta semana a quitação total de sua dívida conversível, usando a venda de parte do BTC em caixa para encerrar de vez o experimento. O caso da sequans reabre o debate sobre os riscos de empresas operacionais usarem Bitcoin como reserva alavancada.

Assim, a companhia informou que ainda mantém aproximadamente 658 BTC, descritos como totalmente livres de garantias. O estoque será monetizado ao longo do tempo, sem prazo ou método definidos. As ações da SQNS subiram 10% no pregão do anúncio — um respiro pontual diante de uma desvalorização superior a 90% para quem entrou no auge do entusiasmo, em julho de 2025.

Do otimismo em junho ao resgate em 2026

Bitcoin empresas

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A trajetória foi curta e cara. Em junho de 2025, a Sequans anunciou um plano para captar US$ 385 milhões via dívida e ações com o objetivo de montar uma tesouraria em Bitcoin. No fim de julho, o CEO Georges Karam classificou o ativo como “reserva de valor de longo prazo para os acionistas”, mirando 3.000 BTC em poucas semanas. A meta foi cumprida ainda naquele mês.

O recuo começou em novembro de 2025, quando o Bitcoin caiu da máxima histórica acima de US$ 126 mil para cerca de US$ 80 mil. Assim, a empresa vendeu 970 BTC naquele mês, mais 125 BTC em fevereiro de 2026 e outros 1.025 BTC no primeiro trimestre. Além disso, em 30 de abril, o estoque já estava em 1.114 BTC. Agora, com a redução para 658 BTC, o balanço acumulado mostra a liquidação de mais de quatro quintos do auge.

O padrão que se repete entre treasuries Bitcoin

Além disso, o desfecho da Sequans não é isolado. Outras companhias que adotaram modelos parecidos enfrentam pressão semelhante. A Nakamoto fez split reverso na Nasdaq após perder 99% do topo, e até a referência do setor, a Strategy de Michael Saylor pausou compras para recomprar dívida. O padrão é o mesmo: empresas alavancadas em BTC sofrem amplificação da queda quando o ciclo vira.

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Assim, o preço atual do Bitcoin, em US$ 73.260 (R$ 369,3 mil), reforça o problema. A maior parte das compras corporativas feitas em 2025 foi executada acima de US$ 100 mil — patamar que segue distante. Para empresas com dívida conversível atrelada à variação do colateral, a janela para sair sem prejuízo se fecha rápido.

O recado para o investidor brasileiro

O caso interessa diretamente ao mercado local. Companhias brasileiras listadas na B3, como Méliuz, vêm avaliando estratégias semelhantes de alocação em BTC. O episódio da Sequans mostra que o modelo só funciona quando o caixa operacional sustenta a tese sem necessidade de venda forçada — um luxo que poucas empresas de médio porte têm.

Além disso, investidores que comprem ações de empresas-tesouraria precisam entender que estão pagando dois prêmios: o do Bitcoin e o do risco corporativo. Quando o ativo cai e a dívida vence, a estrutura quebra. Karam reconheceu na declaração oficial que a prioridade agora é “escalar o negócio de semicondutores IoT”, focando em chipsets 4G LTE-M, Cat-1bis e na plataforma 5G eRedCap.

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Assim, a Sequans encerra o ciclo com o que chama de “balanço praticamente livre de dívida”. Detalhes do plano constam no comunicado oficial divulgado pela companhia.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.