- Bitcoin inicia 2026 com estabilidade e leve recuperação.
- ETFs desaceleram vendas e reduzem pressão no mercado.
- Juros longos e dólar fraco moldam cenário de risco.
Uma análise mais recente da Bitfinex aponta que o mercado cripto entra em 2026 com sinais mistos, mas apresenta elementos que podem indicar uma mudança gradual de sentimento. O Bitcoin, que terminou 2025 pressionado por baixa liquidez e forte cautela dos investidores, iniciou o novo ano com um comportamento mais estável.
A moeda passou a oscilar em uma faixa estreita entre US$ 85 mil e US$ 94 mil, mantendo uma postura mais conservadora do que a observada no mercado acionário, que fechou o ano com recordes, impulsionado pelo desempenho sólido do S&P 500.
Durante as últimas semanas de dezembro, o Bitcoin enfrentou um ambiente tradicionalmente fraco, marcado por realização de prejuízos fiscais e rebalanceamento de portfólios, o que reduziu o apetite por risco e aumentou a pressão vendedora.
Esse movimento ajudou a explicar o desempenho inferior do mercado cripto em comparação com outras classes de ativos em 2025. Ainda assim, o início de 2026 trouxe uma mudança discreta, mas relevante: o BTC acumula alta acima de 3%, enquanto as bolsas mostram leve enfraquecimento, levantando a possibilidade de uma nova dinâmica no curto prazo.
Um dos fatores mais observados pelos analistas da Bitfinex é a desaceleração clara das vendas de ETFs de Bitcoin à vista no final do ano. Esse fenômeno sugere que boa parte do ajuste de risco promovido por grandes gestores já pode ter sido concluída.
Agora, o foco recai sobre os fluxos de entrada ou saída desses instrumentos. Esses dados serão fundamentais para medir se a recuperação inicial do mercado tem força suficiente para atrair capital institucional, algo sempre determinante para ciclos mais prolongados de alta.
Bitcoin
Enquanto isso, o pano de fundo macroeconômico dos Estados Unidos ajuda a moldar o comportamento dos investidores globais. A inclinação da curva de juros — depois de anos de inversão entre 2022 e 2024 — reforça a expectativa de cortes nas taxas no curto prazo, ao mesmo tempo em que os rendimentos de longo prazo permanecem elevados.
Essa combinação vem sendo interpretada como sinal de reprecificação estrutural de riscos e não como anúncio de um ciclo de crescimento vigoroso. Dessa forma, as condições financeiras seguem apertadas, mesmo com a perspectiva de alívio monetário.
Outro elemento importante envolve o enfraquecimento do dólar, que apresentou queda relevante no acumulado do ano. A desvalorização reflete tanto ajustes na política econômica quanto uma tentativa de melhorar a competitividade externa.
Apesar disso, o dólar continua apoiado pela profundidade dos mercados de capitais dos EUA, o que evita movimentos abruptos de perda de confiança. O cenário provável, segundo analistas, permanece sendo de queda gradual, e não de ruptura.
Nesse ambiente, a liquidez global melhora apenas de forma seletiva. Ativos que apresentam geração de caixa no curto prazo, além de características defensivas ou ligadas à economia real, tendem a se beneficiar mais rapidamente. Para o mercado cripto, esse contexto pode favorecer projetos com utilidade comprovada e fluxos de uso constantes, enquanto reduz o entusiasmo por apostas excessivamente especulativas.


