- Strive quer ampliar programas ASST e SATA em US$ 2,1 bilhões cada
- Empresa já detém 16.500 BTC e ocupa 7ª posição entre listadas
- SATA passará a pagar dividendo diário a partir de junho de 2026
A Strive, empresa americana de tesouraria em bitcoin comandada por Matt Cole, anunciou um plano para expandir em US$ 4,2 bilhões sua capacidade de captação no mercado. O movimento mira financiar novas compras de BTC e acelerar uma das curvas de acumulação mais agressivas entre companhias listadas.
O reforço será dividido em duas frentes. Cada um dos programas at-the-market da companhia o ASST e o SATA ganhará espaço adicional de US$ 2,1 bilhões. Vale lembrar que capacidade de ATM não equivale a dinheiro já em caixa, a empresa emite ações de forma contínua conforme a demanda, sem precisar travar um preço único como em uma oferta tradicional.
“A Strive espera aumentar o tamanho dos programas ATM de ASST e SATA em US$ 2,1 bilhões cada, refletindo um aumento sustentado de liquidez e demanda por ambos os papéis”, escreveu Cole em publicação no X.
O executivo prometeu uma atualização do balanço antes da abertura do mercado.
Posição atual em BTC e ranking corporativo
O anúncio ocorre dias depois de a Strive captar cerca de US$ 194 milhões em sua oferta da preferencial SATA, equivalente a aproximadamente 2.621 BTC ao preço de mercado. A tesouraria atual soma 16.500 BTC, avaliados em torno de US$ 1,15 bilhão com o Bitcoin negociado a US$ 69.392.
Pelo ranking do BitcoinTreasuries.net, a empresa ocupa a sétima posição entre companhias listadas. À frente aparecem Strategy, líder isolada com mais de 843 mil BTC, Twenty One Capital, Metaplanet, MARA Holdings, Bitcoin Standard Treasury Company e Bullish. A própria Strategy, vale notar, voltou ao radar recentemente após vender 32 BTC e quebrar quatro anos de silêncio sobre alienações o que reacendeu o debate sobre sustentabilidade desses modelos.
SATA: o motor de captação que sustenta o modelo
O papel SATA tornou-se o eixo da engenharia financeira da Strive. A empresa lançou o produto em novembro de 2025 e ampliou a oferta inicial para 2 milhões ações. Na época, a empresa detinha 7.525 BTC comprados acima do preço atual, indicando perdas contábeis relevantes.
O produto entrega 13% de APR e tem uma particularidade rara, a partir de 16 de junho de 2026, os dividendos passarão a ser pagos em todos os dias úteis. A frequência salta de 12 para cerca de 250 pagamentos por ano. A Strive mantém caixa e títulos líquidos para garantir distribuições e busca negociar suas ações entre US$ 99 e US$ 101.
“Mais de US$ 100 milhões em volume na data ex-dividendos, com preço de fechamento em US$ 99,56, queda de apenas 0,44% em relação ao par. Progresso contínuo para o SATA”, escreveu Ben Werkman, CIO da empresa, na noite de segunda.
Leitura para o investidor brasileiro
Para investidores brasileiros, a estratégia reforça a tendência de financiar acumulação corporativa com instrumentos híbridos de mercado. É o mesmo manual usado por Michael Saylor na Strategy, agora replicado em escala menor por concorrentes caso também da OranjeBTC, que segue ampliando sua tesouraria em ritmo regular.
O risco do modelo é circular: empresas emitem papéis para comprar BTC, e o valor das ações reflete o BTC em caixa. Com o Bitcoin abaixo de US$ 70 mil e caindo 4% em 24 horas cenário já mapeado no suporte crítico em US$ 69 mil, a janela para captações continuadas depende de demanda persistente pelas preferenciais. Caso a liquidez do SATA recue, todo o motor de acumulação perde tração.