- Tesla registra perda contábil sem vender nenhum Bitcoin
- Margens operacionais sustentam reação positiva do mercado
- Exposição ao Bitcoin segue passiva e altamente volátil
A Tesla voltou ao centro das atenções após divulgar seu relatório trimestral e revelar uma perda contábil de US$ 239 milhões relacionada ao Bitcoin, mesmo mantendo todas as suas moedas intactas. O documento, publicado em 28 de janeiro de 2026, confirmou que a empresa não comprou nem vendeu nenhum BTC durante todo o quarto trimestre de 2025.
Apesar da ausência de movimentações, a Tesla manteve sua posição de 11.509 BTC, preservando a mesma quantidade registrada nos meses anteriores e reforçando o compromisso com seus ativos digitais. No entanto, o mercado apresentou forte volatilidade, e isso resultou em impactos contábeis imediatos.
Pelas regras do US GAAP, quedas do Bitcoin abaixo do valor contábil exigem registrar perda recuperável obrigatória. Por outro lado, ganhos não realizados não podem ser reconhecidos até que a posição seja encerrada. Assim, mesmo sem vender nenhum BTC, a Tesla precisou registrar a baixa.
A baixa contábil pressiona o lucro trimestral
O Bitcoin iniciou o trimestre perto de US$ 114.000, mas encerrou o ano em torno de US$ 88.000, o que acionou a obrigação de registrar a perda contábil. As reservas da Tesla, hoje avaliadas em aproximadamente US$ 1 bilhão, afetaram negativamente o lucro declarado.
A empresa informou que o impacto contábil, aliado a movimentos cambiais desfavoráveis, reduziu o lucro líquido GAAP para US$ 840 milhões no trimestre. Ainda assim, a companhia exibiu certo fôlego operacional, mesmo diante das pressões externas.
A receita trimestral alcançou US$ 24,9 bilhões, ligeiramente abaixo das projeções de analistas, que esperavam US$ 25,1 bilhões. Porém, o lucro ajustado por ação ficou em US$ 0,50, superando a estimativa de US$ 0,45 e ajudando a estabilizar o sentimento dos investidores.
Mercado reage bem e ignora o efeito do Bitcoin
No pregão estendido, as ações da Tesla subiram 3,4%, indicando que o mercado priorizou a resiliência operacional e o avanço em inteligência artificial, autonomia e robótica, em vez de focar na perda contábil.
A Tesla mantém sua posição em Bitcoin desde 2022, após vender 75% das reservas para reforçar liquidez. Desde então, os 11.509 BTC restantes funcionam como uma exposição passiva no balanço patrimonial, não como um ativo estratégico de curto prazo.
Os resultados reforçam um ponto recorrente para empresas que detêm Bitcoin, as oscilações contábeis podem distorcer a percepção de lucratividade, mesmo quando a estratégia permanece estável.
A Tesla mantém o Bitcoin como exposição secundária, volátil, porém sem afetar sua inovação contínua nem sua expansão tecnológica.

