- VanEck projeta Bitcoin a US$ 1 milhão nos próximos cinco anos
- Matthew Sigel compara adoção do BTC à evolução dos games
- Banco Central tcheco já testa alocação de 1% em Bitcoin
O chefe de pesquisa em ativos digitais da VanEck, Matthew Sigel, projetou que o Bitcoin alcançará US$ 1 milhão nos próximos cinco anos. A previsão foi feita em entrevista à CNBC em 6 de maio e combina dois vetores principais: a mudança demográfica entre investidores jovens e a entrada gradual de bancos centrais no ativo.
Sigel usou a indústria de videogames como analogia para explicar a mudança de percepção. “Há 30 anos, eram só crianças jogando videogame. Hoje, Elon Musk joga videogame”, disse o executivo. Para ele, a alocação em BTC seguirá trajetória parecida: começa como hábito de uma geração específica e se normaliza no mainstream financeiro à medida que esses investidores envelhecem e ganham capital.
Bancos centrais entram no jogo
O segundo pilar da tese envolve reservas soberanas. O Banco Nacional Tcheco anunciou em novembro a compra de Bitcoin para um portfólio-teste e defendeu publicamente uma alocação de 1% das reservas no ativo. Sigel não detalhou outros nomes, mas tratou o movimento como o início de uma tendência ainda subestimada pelo mercado.
A leitura dialoga com o que outras instituições já sinalizam. Matt Hougan, da Bitwise, Cathie Wood, da Ark Invest, e Michael Saylor, da Strategy, também trabalham com cenários de seis dígitos altos para o BTC na próxima década. A coincidência de projeções entre gestoras tradicionais e teses cripto-nativas reduz a sensação de aposta isolada.
Sigel fez questão de cravar que o caminho até a marca não será linear. “Não há resgates no Bitcoin, então haverá ciclos pelo meio”, afirmou. A frase é uma resposta direta a quem espera trajetória de ações de tecnologia com suporte do Fed — o BTC permanece sujeito a correções profundas entre os topos.
Correlação recorde com a Nasdaq
No curto prazo, a alta recente do Bitcoin até cerca de US$ 83.000 foi atribuída por Sigel ao ambiente macroeconômico. A correlação do ativo com o índice Nasdaq 100 está no maior nível em cinco anos, segundo o executivo. Isso significa que o BTC tem se movido em sintonia com o apetite por risco em ações de tecnologia americanas.
O analista também citou ausência de “espuma” nos mercados de derivativos como sinal positivo. Em ciclos anteriores, taxas de financiamento perpétuo elevadas e juros abertos infláveis antecederam topos locais. A leitura atual, na visão da VanEck, é de alavancagem comportada — espaço para continuar subindo sem o gatilho clássico de liquidação em cascata.
O que muda para o investidor brasileiro
Para quem investe em cripto no Brasil, a projeção da VanEck precisa ser lida com filtros locais. A cotação do dólar entra como variável dupla: um BTC a US$ 1 milhão com dólar a R$ 5,50 significa R$ 5,5 milhões por moeda. A valorização nominal em real depende tanto do desempenho do ativo quanto da política cambial brasileira.
O contexto regulatório também mudou. A reportagem da Receita Federal mostra que exchanges estrangeiras passarão a operar com CNPJ no país e a entregar dados detalhados ao fisco. Qualquer ciclo de alta longo, como o que Sigel projeta, será acompanhado de tributação mais ativa sobre ganhos de capital em ativos digitais.
Outro ponto sensível é a custódia institucional. O movimento do Bradesco para oferecer custódia de Bitcoin indica que o sistema financeiro brasileiro se prepara para receber capital institucional no ativo. Sem essa infraestrutura, fundos de pensão e family offices locais ficariam de fora do ciclo descrito pela VanEck.
A tese de Sigel também encontra eco em projeções recentes. Arthur Hayes vê Bitcoin a US$ 126 mil ainda neste ciclo, puxado por liquidez e investimento em IA. A previsão da CNBC pode ser conferida em declaração à emissora americana.