- Matthew Sigel afirma que US$ 1 milhão é cenário-base da VanEck até 2031
- Correlação entre Bitcoin e Nasdaq atinge maior nível em cinco anos
- Bitcoin opera a US$ 80.158 após rejeição na média móvel de 200 dias
A gestora VanEck colocou um número grande na mesa. Matthew Sigel, chefe de pesquisa em ativos digitais da casa, afirmou que o Bitcoin está em rota estrutural para alcançar US$ 1 milhão por unidade nos próximos cinco anos. A declaração foi feita ao programa Halftime Report, da CNBC.
Sigel classificou o patamar como “cenário-base”, e não como tese otimista isolada. O argumento se apoia em dois pilares, mudanças demográficas que ampliam a base de compradores e a consolidação do ativo como reserva legítima para bancos centrais. Para o executivo, a janela até 2031 comporta essa trajetória.
O rali atual segundo a VanEck
Mesmo com Bitcoin e Ethereum no vermelho no acumulado do ano, o executivo descreve a recente recuperação como um movimento de cobertura de posições vendidas, e não como bolha alimentada por derivativos. A leitura importa, rallys construídos sobre alavancagem tendem a desabar com a mesma velocidade com que sobem.
Outro ponto destacado por Sigel é técnico. A correlação entre o preço do Bitcoin e o índice Nasdaq chegou ao maior nível em cinco anos. Isso indica que os ganhos recentes vêm sendo puxados por fatores macroeconômicos amplos, e não por catalisadores específicos do setor cripto. O ativo, nesse momento, se comporta menos como ouro digital e mais como ação de tecnologia.
“Não existem socorros financeiros no Bitcoin”, disse o executivo, ao alertar que a megatendência de US$ 1 milhão virá acompanhada de volatilidade cíclica intensa.
Em outras palavras, o caminho não é linear, e investidores devem suportar quedas profundas no meio do trajeto.
Convergência entre mineração e IA
A VanEck também monitora de perto o cruzamento entre infraestrutura de mineração e inteligência artificial. Sigel citou empresas como a Hut 8, que migram parte da capacidade computacional para data centers de IA, como peças centrais nessa nova fase. O movimento se confirma na bolsa, com salto recente das ações da mineradora após contratos bilionários no segmento.
Para o investidor brasileiro, esse rearranjo tem leitura prática. Mineradoras listadas viram híbridos de tecnologia e energia, com fluxo de receita menos dependente do preço do BTC. Isso reduz o beta do setor em ciclos de baixa, mas dilui o caráter de “proxy do Bitcoin” que essas ações tinham até 2023.
Projeções mais agressivas no mercado
O número da VanEck não é o mais ambicioso do mercado institucional. Cathie Wood, da Ark Invest, reafirmou recentemente sua tese para o Bitcoin, embora tenha ajustado a meta para US$ 1,2 milhão até 2030. A revisão considera o avanço das stablecoins lastreadas em dólar nos mercados emergentes, fenômeno que, segundo Wood, capturou parte da utilidade originalmente esperada para o BTC.
Já Michael Saylor, presidente da Strategy, foi além na conferência Bitcoin 2026 e cravou um “endgame” de US$ 10 milhões por moeda. A tese se apoia no conceito de crédito digital lastreado em Bitcoin, com o ativo funcionando como colateral universal. Vale lembrar que o mercado de crédito atrelado ao BTC é projetado para movimentar trilhões de dólares na próxima década.
Realidade do preço no curto prazo
No momento, a tela é menos animadora. O Bitcoin opera em US$ 80.180. O ativo encontrou rejeição próximo da média móvel simples de 200 dias, em torno de US$ 83.300, nível que voltou a atuar como teto técnico. Dados econômicos americanos recentes esfriaram apostas em corte de juros pelo Fed no curto prazo, o que reforça o vento contrário.

O contraste entre projeções de longo prazo e a realidade técnica atual aparece também na cobertura local. O rompimento de US$ 83 mil é considerado pré-requisito para uma nova investida ao recorde histórico em 2026. Sem esse gatilho, qualquer cálculo envolvendo seis ou sete dígitos permanece exercício de cenário. A íntegra da entrevista de Sigel está disponível na cobertura original da ZyCrypto.

