- Visa adiciona Polygon, Base e mais 3 redes ao piloto de stablecoins
- Volume anualizado alcança US$ 7 bilhões com crescimento de 50% ao trimestre
- Competição esquenta com Mastercard e fintechs disputando infraestrutura
A gigante global de pagamentos Visa expandiu seu programa piloto de liquidação com stablecoins para incluir Polygon e outras quatro blockchains, sinalizando avanço nos testes com infraestrutura cripto para pagamentos corporativos. O movimento ocorre enquanto o volume anualizado do programa atinge US$ 7 bilhões, crescendo aproximadamente 50% a cada trimestre.
As novas redes adicionadas incluem Polygon, Base, Canton Network, Arc e Tempo. Elas se juntam às blockchains já suportadas como Ethereum, Solana, Stellar e Avalanche no programa lançado em 2023, totalizando nove redes diferentes para processamento de pagamentos em stablecoins.
A expansão demonstra confiança da Visa no potencial das stablecoins para revolucionar pagamentos B2B. Com US$ 7 bilhões em volume anualizado e crescimento trimestral de 50%, o piloto já processa valores significativos, mesmo representando fração pequena do volume total da empresa que movimenta trilhões anualmente.
Liquidação 24 horas atrai corporações
O piloto permite que parceiros da Visa liquidem transações usando stablecoins em vez dos trilhos bancários tradicionais. A empresa avalia se stablecoins podem oferecer liquidação mais rápida, disponibilidade ininterrupta e maior eficiência em pagamentos corporativos internacionais.
Transações tradicionais via SWIFT podem levar dias úteis e incorrer em taxas elevadas, especialmente para pagamentos cross-border. Stablecoins prometem liquidação em minutos, funcionamento 24/7 incluindo finais de semana e feriados, além de custos reduzidos. Para empresas com operações globais, a economia pode ser substancial.
A escolha específica de Polygon destaca a busca por escalabilidade e custos baixos. Enquanto Ethereum processa cerca de 15 transações por segundo com taxas que podem ultrapassar US$ 50 em períodos de congestionamento, Polygon oferece milhares de transações por segundo com custos de centavos.
Em março, a Visa expandiu parceria com a Bridge, subsidiária da Stripe, para suportar programa global de cartões que permite pagamentos vinculados a stablecoins. A integração facilita conversão instantânea entre moedas digitais e fiat, criando ponte entre mundo cripto e sistema financeiro tradicional.
Mastercard e fintechs aceleram disputa
A Mastercard intensificou atividades no setor, incluindo habilitação de gastos com cartão vinculado a stablecoins nos Estados Unidos através de integrações com carteiras como MetaMask. O movimento pressiona a Visa a acelerar seus próprios testes e expandir parcerias.
Na quarta-feira, a provedora de software de pagamentos Modern Treasury anunciou integração com Polygon para ajudar empresas a mover pagamentos em stablecoins mais rapidamente. A fintech de San Francisco adquiriu a plataforma de pagamentos Beam em outubro por valor não divulgado, ampliando capacidades em cripto e posicionando-se como ponte entre finanças tradicionais e blockchain.
PayPal, Square e outras fintechs também correm para capturar fatia do mercado. A PayPal lançou sua própria stablecoin PYUSD em 2023, enquanto Square investe pesadamente em infraestrutura Bitcoin através da divisão TBD. A competição acelera inovação e pode resultar em produtos melhores para consumidores finais.
O momentum nos Estados Unidos foi impulsionado pela aprovação do GENIUS Act, estabelecendo padrões regulatórios mais claros para stablecoins de pagamento. A legislação diferencia stablecoins de pagamento de outros ativos digitais, criando framework específico que facilita adoção por instituições financeiras tradicionais.

Mercado ultrapassa US$ 320 bilhões
O valor total de stablecoins em circulação superou US$ 320 bilhões, crescendo quase 150% desde o início de 2024, segundo dados da DeFiLlama. A expansão reflete adoção crescente por instituições financeiras tradicionais e empresas buscando eficiência em pagamentos internacionais.
Tether (USDT) mantém liderança com cerca de US$ 140 bilhões em circulação, seguido por USDC da Circle com aproximadamente US$ 90 bilhões. Novas stablecoins como RLUSD da Ripple também ganham tração, focando em casos de uso empresariais.
Questões políticas mais amplas ainda estão sendo debatidas no Congresso americano, incluindo se stablecoins podem oferecer rendimento aos detentores. Uma proposta de lei sobre estrutura de mercado continua parada, mas expectativa é de avanços em 2025 com nova composição do legislativo.
Impacto para investidores brasileiros
Para investidores brasileiros, a entrada de gigantes como Visa e Mastercard valida o potencial de longo prazo das stablecoins. A competição entre processadores de pagamento tradicionais pode acelerar desenvolvimento de produtos acessíveis ao varejo, incluindo remessas internacionais mais baratas e cartões pré-pagos vinculados a stablecoins.
Exchanges brasileiras como Mercado Bitcoin e Foxbit já oferecem trading de principais stablecoins. Com validação institucional da Visa, demanda local pode aumentar, especialmente para proteção contra volatilidade do real. Stablecoins oferecem exposição ao dólar sem necessidade de conta no exterior.
A escolha da Polygon como uma das novas redes suportadas destaca a blockchain como opção viável para pagamentos corporativos, podendo atrair mais projetos e aumentar demanda pelo token MATIC. Base, a Layer 2 da Coinbase, também ganha relevância institucional com a inclusão no programa da Visa, potencialmente impulsionando ecossistema de aplicações na rede.
Analistas projetam que mercado de stablecoins pode atingir US$ 1 trilhão até 2030 se adoção institucional mantiver ritmo atual. Para contexto, o PIB brasileiro é de aproximadamente US$ 2,2 trilhões, demonstrando magnitude da oportunidade no setor de pagamentos digitais.

