- ETFs de XRP nos EUA captaram US$ 118,29 milhões em maio
- Shorts alavancados somam US$ 227 milhões e 90% do skew em perpétuos
- XRP saltou 8% entre 14 e 15 de junho antes de devolver ganhos
O XRP voltou a flertar com a região de US$ 1,20 depois de um início de junho castigado por dados macroeconômicos hawkish nos Estados Unidos. A dúvida que domina mesas de trading é direta, a demanda contínua via ETFs à vista tem combustível suficiente para neutralizar o posicionamento vendido que se acumulou após a reunião do Fed?
Os números do quarto token por capitalização ajudam a desenhar o cenário. Em maio de 2026, os ETFs à vista de XRP listados nos EUA registraram US$ 118,29 milhões em entradas líquidas, segundo dados da SoSoValue compilados pela MEXC. Desde o lançamento em novembro de 2025, o fluxo acumulado já se aproxima de US$ 1,4 bilhão. Foi o melhor mês do ano para esses produtos.
O XRP é negociado a US$ 1,13 (cerca de R$ 5,82), em queda de 1% nas últimas 24 horas. O ativo devolveu parte do salto de cerca de 8% registrado entre 14 e 15 de junho, quando subiu de US$ 1,1425 para US$ 1,2307 com um pico de volume estimado em 107,6 milhões de tokens.
Shorts em perpétuos somam US$ 227 milhões
A estrutura do mercado de derivativos é o ponto mais sensível agora. Analistas que citam dados do CoinGlass calculam que cerca de US$ 227,1 milhões em alavancagem vendida estão expostos a liquidação no XRP. O skew entre vendidos e comprados beira os 90% para o lado short, configuração clássica para squeezes violentos quando o preço rompe resistências relevantes.
Esse desequilíbrio dialoga diretamente com outro sinal do mercado spot. Conforme o BitNotícias mostrou em reportagem recente, os saques de XRP na Binance avançaram 53% e levaram a alavancagem agregada ao topo de 2026 combinação que costuma preceder movimentos abruptos em qualquer direção.
O gatilho macro veio do relatório de payroll de maio, divulgado em 5 de junho. Os 172 mil postos de trabalho acima da expectativa reforçaram o tom hawkish do Fed sob a presidência de Kevin Warsh e empurraram ativos de risco para baixo. O Bitcoin sentiu primeiro, conforme registrado na cobertura sobre o recuo a US$ 62 mil após o payroll, e o XRP veio a reboque.
Mecânica dos ETFs pressiona float disponível
Cada criação de cota em ETF à vista obriga o participante autorizado a buscar XRP no mercado spot. Quando o fluxo é persistente, isso reduz a oferta líquida nas exchanges e cria uma pressão estrutural compradora. O efeito é menor em dias de liquidez profunda e maior em sessões finas por isso uma sequência de criações vale mais do que um único pico isolado.
Para o investidor brasileiro, o paralelo é direto com o que aconteceu nos ETFs de Bitcoin. A diferença é que o XRP ainda não tem produto local listado na B3, embora a especulação sobre um eventual ETF de XRP da BlackRock tenha ressurgido neste mês. Sem produto doméstico, o acesso de fundos brasileiros continua dependente de BDRs ou plataformas internacionais, o que limita o repasse do fluxo americano para a formação de preço em reais.
Ruptura acima de US$ 1,20 define próxima perna
O nível psicológico de US$ 1,20 funciona como divisor de águas técnico. Fechamentos diários acima dele com volume spot crescente sinalizariam que os compradores estão absorvendo a oferta dos shorts. Abaixo, o piso anterior em US$ 1,1425 serve como referência para reentrada no range pré-rompimento.
Três sinais merecem atenção, funding equilibrado, open interest crescente nas altas e entradas consistentes nos ETFs. Quando esses três indicadores se alinham, o salto deixa de ser tático e passa a configurar tendência.