- AVAX cai 8% em 24 horas e cota a US$ 6,04 no mercado spot
- Avalanche Treasury despencou 38% no primeiro dia de Nasdaq
- Volume de futuros do token ultrapassou US$ 600 milhões na quebra
A Avalanche (AVAX) entrou em uma das piores fases desde o ciclo anterior. O token recua 8% nas últimas 24 horas e é negociado a US$ 6,10 (R$ 31,09), próximo da mínima dos últimos cinco anos. A queda acumulada desde o pico de 2021 já supera 95%, colocando o ativo entre os piores desempenhos dentre as principais Layer-1 do mercado.
O movimento se acelerou após um gatilho que prometia ser altista, mas terminou no efeito oposto. A combinação de fracasso institucional, rompimento técnico e abertura agressiva de posições vendidas formou um cenário hostil para qualquer tentativa de recuperação no curto prazo.
Estreia da Avalanche Treasury na Nasdaq vira fiasco
O principal catalisador da semana foi a abertura de capital da Avalanche Treasury (AVAT), empresa criada para acumular AVAX em tesouraria nos moldes da estratégia popularizada por Michael Saylor. A operação chegou à Nasdaq cercada de expectativa por captar fluxo institucional para o ecossistema.
O resultado foi o oposto. As ações da AVAT despencaram cerca de 38% no primeiro pregão, segundo dados divulgados pelo Coin Bureau no X. A empresa mantém o plano de adquirir mais de US$ 1 bilhão em AVAX, mas o tombo da ação minou a tese de que estruturas de tesouraria garantiriam piso para altcoins fora do Bitcoin.
O fiasco entra em contraste direto com o sucesso de empresas-tesouro de BTC, como a Capital B, que aprovou €100 bilhões em dívida para comprar Bitcoin. A diferença de tração ajuda a explicar por que o capital institucional segue concentrado em poucos ativos, deixando AVAX, ADA e outros Layer-1 sem demanda compradora relevante.
Perda do suporte de US$ 8 confirma rompimento
Do ponto de vista técnico, o quadro piorou nas últimas sessões. Durante boa parte de 2026, o AVAX oscilou em uma faixa de consolidação entre US$ 8 e US$ 11. Os compradores defenderam repetidamente o piso, segurando o token mesmo com o cenário macro hostil.
Essa defesa cedeu. A perda da banda inferior validou um rompimento de baixa e levou o preço para baixo das principais médias móveis. A região de US$ 8, antes suporte, passa agora a funcionar como resistência imediata. Sem reconquistar esse patamar, qualquer recuperação tende a ser absorvida por ordens de venda represadas.
O movimento ocorre em um pano de fundo macro adverso. O Fed manteve juros entre 3,5% e 3,75% na estreia de Kevin Warsh, e o discurso hawkish reduziu o apetite por risco. O Bitcoin caiu a US$ 62.790, o Ethereum recua para US$ 1.693, e o sell-off espalhou-se com mais força nas altcoins de capitalização média.
Futuros de AVAX passam de US$ 600 milhões no tombo
O comportamento do mercado de derivativos confirma o viés vendedor. O volume de futuros de AVAX superou US$ 600 milhões, enquanto o open interest seguiu em alta mesmo com o preço derretendo. A combinação indica entrada de novos shorts em vez de cobertura, sinal típico de quem aposta na continuidade da queda.
Para o investidor brasileiro, o caso reforça uma leitura prática, estruturas de tesouraria corporativa só funcionam quando há demanda institucional consolidada pelo ativo-base. Tentativas de replicar o modelo Strategy em altcoins com liquidez secundária como já se viu em ensaios com SOL, ETH e agora AVAX esbarram em ceticismo do mercado de ações, especialmente em ambiente de juros americanos elevados.
Na Binance, dados recentes mostram alavancagem em máximas de 2026, padrão que se repete em outras altcoins sob pressão. Para os traders locais, a perda da faixa dos R$ 31 no AVAX deixa o token em zona técnica vulnerável, com próxima referência relevante apenas na região dos US$ 4, patamar visto pela última vez no fim de 2020.