- Bitcoin enfrenta pressão simultânea de desalavancagem, ameaça quântica e fuga de capital global, ampliando incertezas no mercado.
- Especialistas apontam fim da era dos tokens especulativos, com foco crescente em fluxos de caixa reais e infraestrutura financeira on-chain.
- Riscos quânticos desaceleram a adoção institucional, enquanto volatilidade estrutural expõe fragilidades do ecossistema cripto.
O início de fevereiro marcou um dos momentos mais delicados do ano para o mercado. O Bitcoin caiu de forma brusca, acompanhado por ouro, prata e ações de alta volatilidade nos EUA. A correção ampla destacou como os ativos globais continuam sensíveis ao humor do investidor e expôs novamente as fragilidades de um setor que ainda busca maturidade.
Dessa maneira, o episódio reacendeu debates sobre governança, risco quântico, estrutura de mercado e a recente perda de credibilidade causada pela “onda de tokens de baixa qualidade de 2025”.
Mesmo assim, especialistas apontam que o mercado pode estar deixando de ser guiado apenas por narrativas e começando a se aproximar de uma infraestrutura financeira mais realista. No podcast analisado, essa mudança ficou evidente.
Nic Carter afirmou que várias narrativas fundamentais do Bitcoin perderam força com o tempo, e isso já afeta a entrada institucional. Além disso, ele destacou que a era dos tokens chamativos impulsionados por capital de risco está chegando ao fim, pois o mercado exige negócios com fluxo de caixa real e menos promessas especulativas.
Durante a queda de 5 de fevereiro, o Bitcoin tocou quase US$ 60 mil. Vários analistas discutiram se o movimento refletia apenas uma aversão global ao risco ou algum problema interno, como pressões no ETF de Bitcoin da BlackRock. Rumores incluíam desde chamadas de margem no mercado de opções até possíveis problemas em fundos de Hong Kong. Porém, nenhum sinal claro de resgates anormais surgiu.
Para Ram Ahluwalia, a explicação está na “desalavancagem coordenada” dos ativos de alto beta. Assim, fundos excessivamente alavancados foram forçados a liquidar posições, criando uma queda sincronizada que também atingiu o mercado tradicional. Ele afirmou que ainda surgirão novos “cadáveres” de fundos pressionados pela volatilidade.

O que vem a seguir para o Bitcoin
Já Christopher Perkins destacou que a estrutura atual aumenta a sensibilidade do mercado. Formadores de mercado com pouca margem liquidam posições rapidamente, e isso cria espirais de queda. Além disso, as operações de arbitragem entram e saem de forma abrupta, pressionando os preços quando vários investidores desmontam posições ao mesmo tempo.
Para Carter, não existe um “catalisador perfeito”. Em certos momentos, pequenas faíscas desencadeiam reações amplas porque a estrutura do mercado torna-se instável. Assim, a queda reflete muito mais o desenho atual do ecossistema do que um evento isolado.
Mas um tema ganhou ainda mais peso: a ameaça quântica. Para Carter, o risco não é a existência da mecânica quântica, mas o tempo disponível para agir. A comunidade, segundo ele, subestima o ritmo acelerado provocado pela inteligência artificial e pelos investimentos bilionários em computação quântica, especialmente na China.
Ele teme que, sem uma atualização coordenada, instituições como a BlackRock acabem pressionando por mudanças profundas no protocolo caso vejam seus ativos em risco. Isso poderia levar a um controle corporativo indesejado, tornando o Bitcoin mais centralizado.
Perkins concorda que comitês de investimento tratam o risco quântico como fator real, funcionando como freio na adoção institucional. Assim, toda análise de portfólio incluirá a pergunta: “E a computação quântica?”. Isso reduz velocidade, mesmo sem impedir entradas.
Análise Bitcoin
Ahluwalia é mais cético quanto ao tempo. Para ele, muitas tecnologias avançam mais devagar do que previsões otimistas indicam. Mas reconhece que a percepção institucional vale mais do que a convicção individual, e o Bitcoin precisa oferecer um plano claro para avançar.
Outro ponto crítico envolve a narrativa da institucionalização. Muitas das posições do ETF de Bitcoin vêm de hedge funds como Millennium e Jane Street, que não costumam “carregar perdas”. Isso indica que a demanda institucional é menos profunda do que parece. Assim, o ciclo atual se torna mais volátil.
O podcast também tratou do futuro do setor. Todos concordaram que a era dos tokens fáceis e sem fundamentos acabou. O mercado deve caminhar para modelos sustentáveis, com fluxo de caixa e governança clara. Stablecoins, RWAs e infraestrutura on-chain mostram vigor, enquanto muitos tokens devem desaparecer.
Por fim, o episódio abordou o cenário macro. As eleições no Japão e a migração de capital para mercados internacionais mostram que os ativos de risco dos EUA enfrentam um momento de rotação global. Ao mesmo tempo, a IA avança de forma superexponencial, criando riscos e oportunidades, enquanto empresas de data centers assumem papel central no novo ciclo tecnológico.

