- Argentina ganha sua primeira empresa de tesouraria focada 100% em Bitcoin.
- Zonda Bitcoin Capital busca acumular 1.810 BTC e captar investidores institucionais.
- Modelo segue tendência iniciada no Brasil e aposta na valorização do BTC.
A Argentina movimenta seu mercado financeiro ao seguir o caminho aberto recentemente pelo Brasil. O país avança para a criação de uma empresa de tesouraria totalmente focada em bitcoin (BTC). A iniciativa surge com a Zonda Bitcoin Capital, liderada por Leonardo Rubinstein, um executivo conhecido por sua atuação em consultoria estratégica, tecnologia e mercados financeiros. O projeto marca um passo simbólico e técnico importante. Isso ocorre pois tenta inserir, de forma regulada, um ativo digital descentralizado dentro da estrutura tradicional da bolsa argentina.
Rubinstein defende que o bitcoin pode atingir 1 milhão de dólares, e esse entendimento norteia o modelo proposto. A empresa pretende acumular 1.810 BTC como meta inicial. Tal número foi escolhido por representar o ano da Revolução de Mayo. O objetivo central é construir um veículo regulado que permita a entrada de capital institucional em bitcoin. Para isso, precisa respeitar as normas locais, mas mantendo uma estratégia simples: acumular o ativo ao longo do tempo.
De acordo com o executivo, sua convicção nasce de uma trajetória marcada por experiências em ambientes competitivos. Ele passou pelo Boston Consulting Group e pelo mercado de futuros em Chicago. A aproximação com o bitcoin começou em 2015, após um encontro com Wenceslao Casares, fundador da Xapo. Desde então, Rubinstein passou a estudar o ativo com profundidade e, gradualmente, abandonou a postura especulativa para adotar uma visão de longo prazo.
Ele reforça que bitcoin e “cripto” não significam a mesma coisa, e a escolha por trabalhar exclusivamente com BTC reflete um posicionamento filosófico e técnico. Para Rubinstein, o Bitcoin responde a um problema global: a contínua perda de valor das moedas fiduciárias. Sua escassez absoluta e sua independência de intermediários tornam o ativo ideal para um modelo de tesouraria de longo prazo.
Tesouraria de Bitcoin
Zonda Bitcoin Capital busca repetir a estratégia vista nos Estados Unidos com a Strategy, de Michael Saylor. Tal ação superou o desempenho do próprio BTC nos últimos anos. A estrutura proposta pela companhia argentina prevê que o acionista avalie, acima de tudo, o BTC por ação. Dessa forma, não analisa apenas o preço do papel, tornando o crescimento da reserva o principal indicador de desempenho.
Além disso, o modelo oferece vantagens fiscais. A empresa usará ETFs americanos, como o IBIT da BlackRock, para contornar a tributação sobre ganhos não realizados. Além disso, garantirá custódia institucional em Coinbase ou Fidelity. Esse arranjo busca segurança regulatória e transparência, com divulgação constante do valor líquido de ativos.
A empresa já opera na bolsa sob o ticker HULI, mas aguarda aprovação para mudar o nome e ampliar sua base de investidores. Embora a documentação entregue à Comissão Nacional de Valores mencione “ativos virtuais”, Rubinstein explica que se trata de exigências processuais. Na prática, a tesouraria será exclusivamente de bitcoin, sem inclusão de altcoins.
A ambição, no entanto, não se limita ao acúmulo inicial. Rubinstein afirma querer construir a maior empresa de capital aberto da Argentina, sustentado pela crença de que o bitcoin ainda está muito distante de seu potencial máximo. Ele compara o valor de mercado do BTC ao ouro e ao setor imobiliário para ilustrar seu espaço de expansão.
Outro pilar do projeto é a educação financeira. Rubinstein argumenta que o histórico inflacionário argentino torna o país mais sensível à lógica de escassez do bitcoin. Ainda assim, ele ressalta que a deterioração das moedas fiduciárias já se tornou um fenômeno global, e instrumentos digitais oferecem uma alternativa clara.


