- Citi testa tokenização de letras de câmbio na Solana, recriando todo o ciclo de vida dos instrumentos financeiros em ambiente digital.
- Contratos inteligentes reduzem erros e aceleram liquidação, permitindo operações concluídas em minutos e sem etapas manuais.
- Banco americano avalia integração com sistemas internos, passo essencial para expandir o uso real de ativos tokenizados em larga escala.
O Citi, terceiro maior banco dos Estados Unidos, deu um passo importante rumo à digitalização de instrumentos financeiros ao realizar uma prova de conceito baseada na rede Solana. A experiência, conduzida em ambiente controlado, recriou todo o ciclo de vida de letras de câmbio, desde a emissão até a liquidação, e apresentou resultados que reforçam o interesse crescente das instituições tradicionais por infraestruturas cripto de alto desempenho.
O teste foi feito em uma versão privada da rede, sem participação de clientes reais. Para isso, o banco criou perfis fictícios que atuaram como comprador, vendedor e investidor. Mesmo assim, o experimento utilizou dados sintéticos capazes de reproduzir com precisão o comportamento de operações verdadeiras.
Nesse modelo, cada letra de câmbio foi representada como um ativo digital único, tecnicamente semelhante a um NFT. O token carregava dados completos, como valor da operação, prazos e informações das contrapartes. Assim que o comprador validava os termos com assinatura eletrônica, o instrumento se tornava um compromisso legal e totalmente nativo dentro do ambiente digital.

Automação e ganho de eficiência com contratos inteligentes
A operação começava com o fornecedor inserindo os dados na plataforma bancária, o que gerava o token correspondente. A partir daí, o sistema automatizava grande parte do fluxo. Com os contratos inteligentes, a transferência de propriedade e a liquidação ocorriam sem etapas manuais, reduzindo o risco de erros e agilizando o processo.
O Citi destacou que, nessa configuração, a liquidação poderia ocorrer em minutos. Essa rapidez contrasta com modelos tradicionais que dependem de horários bancários e verificações descentralizadas. Ao mesmo tempo, o banco reconhece que a adoção real exige integração com estruturas contábeis internas e conformidade regulatória.
A prova de conceito também avaliou se a tokenização poderia diminuir falhas operacionais. Em um sistema financeiro que lida com instrumentos de prazos curtos, como letras de câmbio, qualquer atraso impacta diretamente o custo e a eficiência das empresas.
Solana e o interesse bancário em redes rápidas
A escolha da Solana ocorre em um momento em que grandes instituições estudam redes capazes de lidar com altas cargas de transações com custo reduzido. Para bancos globais, o desempenho é crucial para automatizar fluxos que antes dependiam de diversas etapas manuais.
Segundo o relatório publicado em 5 de fevereiro, o Citi administra cerca de US$ 2,4 trilhões em ativos, o que torna esse tipo de teste relevante para todo o mercado financeiro. Assim, a possibilidade de migrar operações tradicionais para redes digitais aponta para um cenário em que a tokenização pode se tornar parte central da infraestrutura bancária.
O banco informou que o próximo desafio será conectar essas operações tokenizadas aos sistemas internos de contabilidade. Apenas com essa integração será possível avançar para testes com clientes reais e ambientes regulatórios completos.
Por enquanto, a experiência permanece como um exercício de laboratório. No entanto, ela mostra que a expansão institucional no setor cripto deixou de ser especulação e passou a ser um movimento estratégico. A escolha da Solana reforça a busca por soluções rápidas, seguras e escaláveis, capazes de transformar o mercado de dívida e outros instrumentos financeiros no futuro próximo.

