- Bitcoin despenca mais de 6% e recua para US$ 83.900.
- Liquidações superam US$ 800 milhões enquanto ações dos EUA caem forte.
- Ouro avança e reforça busca global por ativos de proteção.
Bitcoin despenca mais de 6% nesta quinta-feira e aprofunda um movimento que atinge todo o mercado de criptomoedas. O preço atual gira em torno de US$ 83.900, depois de uma queda brusca que levou o ativo abaixo de US$ 85.000 durante a sessão norte-americana. A queda eliminou mais de 5% da capitalização de mercado da moeda em apenas 24 horas, enquanto o ativo tocou rapidamente US$ 84.400, seu nível mais baixo desde o início de dezembro.
O recuo ganhou força após uma manhã turbulenta nas bolsas dos Estados Unidos, quando o Nasdaq e o S&P 500 recuaram de maneira acentuada. A queda de 12% das ações da Microsoft pressionou fortemente o sentimento dos investidores, ampliando o movimento de aversão ao risco. Assim, o Bitcoin reagiu com forte volatilidade e seguiu a tendência negativa das empresas de tecnologia.
Com o tombo repentino, os investidores enfrentaram quase US$ 200 milhões em liquidações em apenas uma hora, segundo dados da Coinglass. No total, as liquidações passaram de US$ 800 milhões nas últimas 24 horas, com a maior parte concentrada em posições compradas. A maior liquidação individual ocorreu na Hyperliquid, envolvendo uma única ordem de US$ 31,6 milhões.
A pressão vendedora também afetou o restante do mercado, e criptomoedas como Ethereum, BNB, XRP e Solana registraram perdas superiores a 5% no mesmo período. A reação confirma a correlação crescente entre Bitcoin e ações de tecnologia, principalmente durante fases de baixa, quando investidores reduzem posições consideradas de maior risco.
Bitcoin em queda

Enquanto o Bitcoin recua, o ouro avança e reforça seu papel de ativo defensivo. O metal precioso chegou a registrar um recorde de US$ 5.598 antes de recuar para perto de US$ 5.200. Mesmo assim, acumula quase 90% de valorização no último ano. A forte demanda ocorre em meio ao aumento da retórica tarifária do presidente dos EUA, Donald Trump, que melhora o apelo de investimentos vistos como porto seguro.
Analistas também observam que o avanço da tokenização de ouro e prata ganha força dentro do mercado cripto e pode estar reduzindo parte do fluxo que tradicionalmente migra para o Bitcoin. A tendência se intensifica à medida que investidores buscam lastro físico em meio ao aumento da incerteza econômica global.
No campo monetário, o Federal Reserve manteve os juros estáveis na reunião de janeiro, e os comentários do presidente Jerome Powell não mudaram de forma significativa as expectativas do mercado. A decisão trouxe pouco alívio e não foi suficiente para conter a pressão sobre os ativos de risco.
Tecnicamente, o Bitcoin testa agora o suporte de US$ 83.000, que se tornou decisivo após a rejeição perto de US$ 91.120. Caso o preço não se sustente nesse nível, analistas apontam risco de queda até US$ 80.500, região considerada chave. O RSI permanece abaixo do nível neutro, enquanto o estocástico indica sobrevenda, reforçando a predominância do ímpeto vendedor.

