- Colapso da BitRiver expõe fragilidade da mineração russa
- Pressão regulatória acelera saída de mineradores do país
- Escândalo fiscal ameaça participação russa no hash rate global
A indústria de mineração de Bitcoin na Rússia enfrenta um momento crítico. A BitRiver, maior operação industrial do país, entrou em colapso nesta semana e expôs fragilidades que podem forçar diversas empresas a abandonar o setor.
Segundo analistas, a crise revela como o ambiente regulatório instável e a falta de modelos corporativos sólidos afetam até mesmo os gigantes da mineração. A situação também ameaça reduzir a influência da Rússia no mercado global de hash rate.
Bitriver desmorona e expõe risco sistêmico
A empresa mergulhou em dificuldades depois que suas plataformas foram desligadas, seus funcionários ficaram sem salários por três meses e seu fundador, Igor Runets, acabou colocado em prisão domiciliar. As autoridades investigam suspeitas de evasão fiscal em larga escala, o que aumenta ainda mais a tensão no setor.
O especialista Mikhail Smirnov afirmou que a crise da BitRiver mostra que “as principais empresas de mineração estão encontrando crescentes dificuldades para operar sem regras claras”.
Ele também alertou que a saída de mineradores, sobretudo dos mais frágeis, pode acelerar rapidamente.
Embora a empresa tenha movimentado mais de 175 mil máquinas de mineração e registrado US$ 133 milhões em receita em 2025, a pressão regulatória e os problemas internos desmontaram sua estrutura. A BitRiver operava consumindo 533 megawatts distribuídos em 15 data centers, uma potência que simbolizava a força da empresa no país.
Mineração Russa pode perder fôlego após a crise
A queda da BitRiver representa um golpe profundo para um setor que crescia de forma acelerada. Só em 2025, os mineradores russos produziram cerca de 26 mil Bitcoins, equivalentes a quase US$ 2 bilhões, ampliando a capacidade do país para 11 GW.
Runets, fundador da empresa na Sibéria, era conhecido como o “padrinho da mineração de Bitcoin na Rússia”, e transformou Irkutsk na capital informal da atividade no país. Porém, segundo o jornal RBC, os promotores suspeitam que ele criou um esquema que permitia a clientes reduzir impostos por meio de despesas fictícias com serviços e equipamentos ASIC.
Investigações indicam que diversas empresas transferiram recursos para a BitRiver alegando compra de máquinas que nunca receberam. Essas transações, segundo autoridades, serviram para justificar declarações de despesas inexistentes.
Relatos também indicam que a BitRiver fechou vários escritórios. Funcionários afirmaram que pessoas desconhecidas retiraram equipamentos e documentos, sem informar o destino do material. Parte do quadro de colaboradores já pediu demissão, enquanto o restante não recebe respostas de executivos ou do próprio Runets.
Especialistas afirmam que o ambiente jurídico indefinido, aliado a sanções internacionais, pode ter tornado o peso operacional insustentável. Tanto Runets quanto a BitRiver foram incluídos em listas de sanções dos Estados Unidos em 2022, o que ampliou a pressão financeira e restrições comerciais.
No fim, o colapso da BitRiver pode transformar profundamente a mineração russa. Agora, com a maior empresa do país à beira da falência, o setor encara uma fase de incertezas que pode reduzir sua participação global e acelerar a saída de mineradores do mercado.

