- Governo canadense quer banir todos os ATMs de cripto do país
- Fraudes com Bitcoin ATMs causaram perdas de US$ 704 milhões em 2025
- Medida faz parte de pacote maior contra crimes financeiros
O governo do Canadá incluiu em sua atualização econômica de primavera uma proposta radical, banir completamente os caixas eletrônicos de criptomoedas do país. A medida surge após autoridades federais conectarem diretamente essas máquinas a esquemas de fraude e lavagem de dinheiro que causaram perdas milionárias.
Dados do Centro Antifraude Canadense mostram que os prejuízos com golpes chegaram a US$ 704 milhões apenas em 2025. Desde 2022, o valor acumulado ultrapassa US$ 2,4 bilhões. E o cenário real pode ser ainda pior as autoridades estimam que apenas 5% a 10% dos casos são efetivamente reportados.
Como funcionam os golpes com ATMs de Bitcoin
Os criminosos desenvolveram um método específico para explorar essas máquinas. Primeiro, fazem contato com as vítimas através de anúncios online, posts em redes sociais ou mensagens diretas. Em seguida, se passam por autoridades governamentais ou representantes de empresas conhecidas.
A polícia de Salmon Arm, na Colúmbia Britânica, relatou um caso emblemático em abril de 2026. Golpistas se apresentaram como funcionários do governo e instruíram uma vítima a depositar dinheiro em um ATM de Bitcoin. O prejuízo é de US$ 11.900 em uma única transação. Uma vez que o dinheiro é convertido em cripto e enviado, a recuperação se torna praticamente impossível.
A Agência de Consumo Financeiro do Canadá já havia emitido alertas sobre o padrão. Fraudadores pressionam vítimas a sacar dinheiro rapidamente e depositar nos caixas eletrônicos, criando senso de urgência que impede reflexão mais cuidadosa sobre a transação.
Impacto para o mercado cripto canadense
O Canadá possui uma das maiores redes de ATMs de criptomoedas per capita no mundo. A proibição representaria um golpe significativo para a infraestrutura cripto do país, eliminando um dos principais pontos de entrada para investidores iniciantes que preferem transações em dinheiro.
Para investidores brasileiros que operam no mercado canadense ou utilizam essas máquinas durante viagens, a mudança exigiria adaptação. ETFs de Bitcoin e exchanges tradicionais se tornariam as únicas opções regulamentadas para entrada no mercado.
O FINTRAC, agência de inteligência financeira canadense, já havia intensificado a fiscalização sobre empresas de serviços monetários relacionadas a cripto. Em caso recente, aplicou multa de US$ 176,9 milhões contra a Xeltox Enterprises (Cryptomus) por milhares de violações de compliance a empresa recorreu da decisão.
Contexto regulatório mais amplo
A proposta não surge isoladamente. Em março de 2026, o Departamento de Finanças do Canadá já havia sinalizado preocupações específicas com ATMs de cripto, classificando-os como facilitadores de crimes financeiros. A medida se insere em um pacote mais amplo que inclui regras mais rígidas para empresas de serviços monetários e expansão dos poderes de enforcement.
O documento oficial descreve a proibição como proposta, não como regra já vigente. O governo ainda não confirmou data de implementação, penalidades para operadores ou período de transição. Para o mercado, a incerteza sobre os detalhes práticos adiciona camada extra de complexidade.
A conexão direta entre dinheiro físico e ativos digitais que os ATMs proporcionam é vista pelas autoridades como brecha crítica no sistema financeiro. Diferentemente de exchanges regulamentadas, que implementam processos KYC rigorosos, muitos caixas eletrônicos operam com controles AML mais flexíveis.
O movimento canadense pode inspirar outros países a revisar suas políticas sobre ATMs de cripto. Na prática, representa mais um capítulo no equilíbrio delicado entre inovação financeira e proteção ao consumidor que reguladores globais tentam estabelecer no mercado de criptoativos.

