- Ryde aposta em criptomoedas como reserva estratégica
- Empresa amplia exposição a Bitcoin, Ether e Solana
- Mercado reage, mas companhia mantém visão de longo prazo
A Ryde Group, empresa de mobilidade com sede em Singapura, decidiu dar um passo ousado. A companhia passou a adotar criptomoedas como estratégia financeira corporativa.
A plataforma de caronas, semelhante à Uber e Lyft, já aceitava Bitcoin como pagamento. Agora, no entanto, amplia o uso e leva os ativos digitais para o centro da tesouraria.
A decisão marca uma mudança relevante. Em vez de apenas processar pagamentos em cripto, a empresa começa a investir parte de suas reservas em ativos digitais.
Segundo comunicado oficial, a Ryde vai direcionar recursos para Bitcoin, Ether e Solana. A alocação exata dependerá de critérios definidos internamente.
A companhia afirma que responde a um ambiente macroeconômico em evolução. Além disso, vê nos criptoativos uma alternativa estratégica para diversificar caixa.
Ao mesmo tempo, a gestão busca maior flexibilidade financeira. Com isso, pretende adaptar a estrutura de capital às novas dinâmicas globais.
Estrutura de governança e gestão de riscos
Para sustentar a mudança, a empresa criou dois comitês específicos. Um deles ficará responsável pelas decisões de investimento.
O segundo grupo atuará na gestão de riscos e na conformidade regulatória. Dessa forma, a companhia tenta equilibrar inovação e segurança.
Os ativos digitais serão custodiados por uma entidade terceirizada. Assim, a empresa reduz riscos operacionais diretos.
A Ryde reforça que manterá controles rígidos. Além disso, acompanhará de perto a volatilidade do mercado.
A estratégia surge em um momento delicado. O setor de tesouraria em criptomoedas enfrenta forte pressão desde 2025.
Em setembro daquele ano, várias empresas passaram a negociar abaixo do valor líquido de seus ativos digitais. Esse movimento abalou a confiança do mercado.
Mercado desafiador pressiona empresas de cripto
Em fevereiro de 2026, os fluxos para companhias com exposição direta a cripto recuaram significativamente. O volume mensal caiu para US$ 555 milhões.

Ao mesmo tempo, empresas listadas enfrentaram decisões difíceis. Algumas optaram por vender parte de suas reservas digitais.
O GD Culture Group, por exemplo, autorizou a venda de Bitcoin. A medida financiou um programa de recompra de ações.
Já a BitMine Immersion Technologies acumula perdas expressivas. O preço do Ether ficou abaixo do valor médio de aquisição da empresa.
Mesmo diante desse cenário, a Ryde decidiu avançar. A companhia sustenta que enxerga valor estratégico no longo prazo.
No mercado acionário, porém, a reação foi imediata. As ações negociadas na NYSE American recuaram mais de 13% em um único pregão.

Ainda assim, o papel mantém valorização superior a 120% no acumulado do ano. Isso mostra que investidores acompanham a empresa de perto.
A Ryde já experimentava o universo cripto desde 2020. Naquele ano, passou a aceitar Bitcoin como forma de pagamento.
Depois, expandiu o suporte para outras altcoins. Usuários podiam converter cripto em tokens Ryde por meio da carteira RydePay.
Agora, a empresa dá um passo além. Ao transformar cripto em reserva estratégica, assume riscos mas também aposta em novas oportunidades.
Com essa decisão, a Ryde se junta a um grupo crescente de companhias que enxergam nos ativos digitais mais do que um meio de pagamento. Enxergam uma nova lógica financeira.

