- Ethereum registra terceiro pior primeiro trimestre da história.
- Queda supera 33% e contrasta com histórico positivo.
- Mercado avalia riscos macro e possíveis recuperações.
O Ethereum atravessa um de seus piores momentos, especialmente para um primeiro trimestre. Os dados mais recentes apontam que o Q1 de 2026 acumula queda de 33,51%, tornando-se o terceiro pior início de ano já registrado para a criptomoeda. Esse desempenho contrasta de forma evidente com o comportamento histórico do ativo, tradicionalmente marcado por fortes recuperações e ganhos expressivos nos primeiros meses do ano.
Ao observar a série histórica de retornos trimestrais, fica claro que o Q1 sempre foi um período volátil para o Ethereum. Em algumas ocasiões, o ativo registrou ganhos de três dígitos e, em outras, sofreu correções igualmente intensas. Ainda assim, o retorno médio histórico do primeiro trimestre supera 60%, enquanto a mediana permanece levemente positiva. Por isso, o tombo de agora se destaca e reforça uma fase particularmente desafiadora para o mercado.
Esse movimento fica ainda mais evidente quando comparado aos poucos anos em que o Q1 apresentou quedas mais profundas. Em episódios anteriores, o mercado enfrentava forte aversão ao risco e buscava liquidez, criando um ambiente desfavorável para ativos digitais. Agora, a combinação de incertezas macroeconômicas e mudanças no apetite institucional contribui para a fraqueza prolongada.
Ethereum em queda

Apesar disso, analistas lembram que ainda faltam mais de cinco semanas para o fim do trimestre. Em ciclos passados, o Ethereum já mostrou capacidade de reverter quedas expressivas dentro do mesmo período. Em alguns casos, essas recuperações ocorreram logo após fases de capitulação, quando a maior parte dos vendedores já tinha deixado o mercado. Assim, mesmo com o desempenho negativo atual, o trimestre pode terminar menos adverso do que parece.
Outro fator que chama atenção envolve os emissores de RWA (Real World Assets). Nos últimos meses, esses projetos têm priorizado captação de recursos em vez de aumentar a liquidez no mercado secundário. Esse foco reduz temporariamente a demanda por ETH, já que muitos desses ecossistemas utilizam a rede Ethereum como infraestrutura. Esse descompasso entre expansão de projetos e liquidez disponível amplia a pressão sobre o preço.
A leitura do mercado, portanto, exige cautela. Um trimestre fraco não define, por si só, o comportamento do ano inteiro. Ciclos anteriores mostram que fortes quedas no início do ano já foram seguidas por recuperações consistentes no segundo trimestre. No entanto, também existem casos em que a fraqueza inicial representou pressão macro mais ampla, afetando diversos ativos de risco e prolongando a tendência negativa.

