- Julian Ma e Carl Beek renunciam após 4 e 7 anos na Ethereum Foundation
- Saídas elevam para 8 o número de baixas de alto perfil em meses recentes
- Maio concentra 5 renúncias de pesquisadores e desenvolvedores seniores
A Ethereum Foundation perdeu mais dois pesquisadores nesta semana, ampliando uma sequência de baixas que já soma pelo menos oito nomes de peso nos últimos meses. Julian Ma e Carl Beek encerraram, respectivamente, quatro e sete anos de trabalho dentro da organização que coordena o desenvolvimento do segundo maior blockchain do mundo.
Ma atuou em pesquisas ligadas à resistência à censura na rede e em estratégias para pontes entre camadas, tema sensível depois dos sucessivos ataques a bridges em 2025 e 2026. Beek esteve no desenho inicial da Beacon Chain, peça central que levou o Ethereum ao modelo proof-of-stake em 2022.
Em publicação no X, o pesquisador Ignas | DeFi questionou abertamente o que está acontecendo na fundação e listou pelo menos cinco renúncias públicas em apenas um mês. A dúvida central que circula entre desenvolvedores é se as saídas refletem perda de fé no roteiro técnico, salários considerados baixos frente a rivais ou simples desgaste.
O que disseram os pesquisadores
Ma justificou a saída afirmando que pretende focar em trabalho de produto e crescimento. Descreveu a fundação como um bom lugar, mas inadequado para a próxima etapa de sua carreira. Beek anunciou que deixará o cargo em 29 de maio e dedicará tempo à esposa e ao filho recém-nascido.
Nenhum dos dois citou divergências técnicas. Ainda assim, o contexto pesa: a fundação passa por uma reestruturação iniciada em 2025 pelo cofundador Vitalik Buterin, que prometeu trazer sangue novo após críticas da comunidade ao ritmo de evolução do protocolo. O objetivo declarado era acelerar throughput e atacar gargalos de escalabilidade.
A lista de baixas recentes
Em maio, a fundação confirmou que Barnabé Monnot e Tim Beiko, líderes do time Protocol Cluster, sairiam do cargo. O terceiro líder, Alex Stokes, entrou em ano sabático. Em abril, Josh Stark e Trent Van Epps anunciaram saída em dias consecutivos. Em fevereiro, Tomasz Stanczak deixou o posto de codiretor executivo após um período curto à frente da estrutura.
O somatório expõe um problema delicado para um ecossistema que movimenta mais de US$ 200 bilhões em valor total e sustenta a maior parte do DeFi global. Trocas de comando em camadas técnicas tendem a desacelerar entregas como o avanço do danksharding completo e o aumento do limite de gas.
Impacto no investidor brasileiro
Para quem opera ETH no Brasil — seja via spot em Mercado Bitcoin, Foxbit e Binance ou via fundos negociados na B3 — a leitura precisa ir além do ruído. A governança da Ethereum Foundation não controla a rede, mas concentra parte relevante do funding de pesquisa e da agenda técnica. Trocas em massa nesse núcleo costumam preceder revisões de cronograma.
O timing também complica. O preço do ETH luta para sustentar patamares baixos depois de saques relevantes em produtos negociados em bolsa. Para acompanhar a pressão recente sobre o ativo, vale revisitar a análise sobre o teste do suporte em US$ 2.000 e o movimento de depósitos de baleias na Binance, o maior fluxo desde 2022.
O cenário se conecta ainda às discussões técnicas que o próprio Buterin tem puxado, como o uso de IA e verificação formal em contratos. Com pesquisadores-chave saindo, a execução dessas frentes passa a depender de uma nova geração ainda em formação dentro da organização.
Procurada por veículos internacionais, a fundação ainda não detalhou publicamente os critérios da reestruturação nem confirmou substitutos para as posições abertas em pesquisa e liderança de protocolo.