- Fundação Ethereum lança o BETH, recibo verificável de ETH queimado.
- Mais de 4,6 milhões de ETH já foram queimados desde 2021.
- Modelo reacende debate sobre escassez e política monetária da rede.
A Ethereum Community Foundation (ECF) lançou o BETH, um novo token que funciona como comprovante transparente das queimas de Ether.
Com isso, a iniciativa dá mais visibilidade ao processo e reforça o desenho monetário da rede, justamente em um momento em que a escassez do ativo segue em debate.
O que é o token BETH?
Apresentado em 28 de agosto, o BETH opera por meio de um contrato inteligente. O usuário envia ETH para um endereço de queima irreversível e, em troca, recebe a mesma quantidade em BETH.
Diferente do mecanismo introduzido pelo EIP-1559, em 2021, que remove parte das taxas de forma pouco perceptível, o novo modelo oferece um recibo tangível. Assim, o BETH pode circular em aplicações de governança, servir em modelos de incentivo e sustentar novas formas de coordenação descentralizada.
Além disso, a proposta torna o processo de queima mais compreensível, já que os efeitos do EIP-1559 ainda soam abstratos para muitos usuários.
Como o BETH pode ser usado?
Zak Cole, desenvolvedor e fundador da Fundação Ethereum, explicou o objetivo do projeto:
“Assim como o WETH padronizou o uso do Ether em contratos inteligentes, o BETH cria uma camada limpa para rastrear queimas.”
Segundo Cole, o token abre espaço para votações baseadas em destruição de tokens, leilões em que a queima substitui a receita e até sistemas de nomes que expiram sem novas queimas.
Entretanto, ele reforçou que o BETH funciona apenas como recibo e não como um ativo com valor próprio.
Impactos e debates sobre a escassez
Desde a atualização London, a rede Ethereum queimou cerca de 4,6 milhões de ETH. No entanto, no mesmo período, validadores emitiram mais de 8 milhões de novos tokens. Esse contraste gera questionamentos sobre a capacidade do Ethereum de manter um modelo deflacionário consistente.
Joseph Lubin, cofundador do Ethereum, demonstrou confiança no potencial do novo token:
“Queimar ETH vai se tornar algo lucrativo, pois abrirá novas indústrias. Também será divertido, já que se transformará em uma mecânica popular em jogos Web3.”
Por um lado, os defensores do BETH acreditam que o mecanismo fortalece a narrativa de escassez e amplia a transparência. Por outro lado, críticos argumentam que ele não resolve o desafio central: equilibrar emissão e destruição de tokens no longo prazo.
Ainda assim, o lançamento do BETH marca um avanço. Portanto, a comunidade passa a acompanhar e utilizar as queimas de ETH de maneira mais visível e integrada ao ecossistema.