- GoMining lança GoBTC Pay para pagamentos instantâneos na camada base do Bitcoin
- Empresa criou pool próprio mirando liquidação on-chain em 12 horas até fim de 2026
- Taxa de 0,2% para lojistas fica abaixo das processadoras tradicionais de cartão
A GoMining, plataforma com 5 milhões de usuários e que figura entre os dez maiores mineradores de Bitcoin do mundo por hashrate, anunciou nesta quinta-feira (8) o lançamento do GoBTC Pay. O protocolo promete viabilizar pagamentos gratuitos e instantâneos diretamente na camada base do Bitcoin, sem depender da Lightning Network nem de soluções de segunda camada.
O anúncio foi feito em Londres e teve demonstração ao vivo durante a conferência Consensus Miami 2026, realizada entre 5 e 7 de maio. A proposta é simples na superfície: o consumidor não paga nada, e o lojista arca com uma taxa de adquirência de 0,2%. Em uma venda de US$ 100, o comércio fica com US$ 99,80.
Como funciona o protocolo
O GoBTC Pay opera com uma arquitetura de multi-assinatura 2-de-3, dividida entre usuário, GoMining e um custodiante terceirizado regulado. A confirmação das transações fica a cargo de um pool de mineração próprio, criado especificamente para priorizar esses pagamentos.
A meta é entregar liquidação on-chain em até 12 horas até o fim de 2026. O modelo difere de concorrentes que terceirizam a confirmação para pools externos. Aqui, a própria GoMining minera os blocos que carregam as transações do protocolo.
Parte das taxas pagas pelos lojistas retorna aos chamados “mineradores digitais” — usuários do app da empresa que detêm hashrate tokenizado. Metade da taxa vai para esses mineradores; a outra metade, para a carteira que originou o pagamento. A GoMining afirma não reter nada sobre transações de terceiros, estratégia para atrair integrações de carteiras como Ledger, Trust Wallet e MetaMask.
O problema que o Bitcoin ainda não resolveu
O lançamento ataca uma lacuna antiga. Apesar de o Bitcoin ter capitalização superior a US$ 1,5 trilhão, mais de 150 empresas listadas mantendo BTC em caixa e ETFs à vista somando cerca de US$ 100 bilhões sob gestão, a moeda continua impraticável para uma compra de padaria.
A Lightning Network, apresentada em 2018 como solução, levou sete anos para alcançar US$ 1 bilhão em volume mensal. A transação média na rede gira em torno de US$ 223 — valor que reflete fluxo entre exchanges, não consumo. Nos Estados Unidos, cerca de 22% dos adultos possuem Bitcoin, mas apenas 2.300 estabelecimentos aceitam o ativo diretamente.
“A primeira linha do whitepaper descreve um sistema eletrônico de dinheiro peer-to-peer. O Bitcoin foi desenhado para ser dinheiro, não apenas um ativo”, afirmou Mark Zalan, CEO da GoMining, em comunicado.
Impacto para o investidor brasileiro
Para o mercado nacional, a chegada de uma camada de pagamentos competitiva esbarra em obstáculos conhecidos. O Banco Central do Brasil regulamenta as prestadoras de serviços de ativos virtuais via Lei 14.478 e marco infralegal em construção. Qualquer adquirente cripto operando no varejo brasileiro precisaria dialogar com essa moldura — e competir contra o Pix, que oferece liquidação instantânea e gratuita há cinco anos.
É justamente nesse ponto que o GoBTC Pay tende a encontrar resistência local. Enquanto nos EUA a comparação se dá contra cartões com taxas entre 1,5% e 3,5%, no Brasil o benchmark é diferente. O Pix transferiu mais de R$ 26 trilhões em 2024 segundo o BC, sem custo para pessoas físicas. A vantagem do protocolo da GoMining no país tende a se concentrar em pagamentos transfronteiriços e e-commerce internacional, onde cartões ainda dominam e cobram IOF.
Expansão e infraestrutura
O lançamento coincide com a expansão da GoMining nos Estados Unidos. A empresa constrói data centers híbridos para mineração de Bitcoin e cargas de inteligência artificial, com meta de garantir 1 GW de capacidade computacional em 2026.
Lojistas poderão receber BTC direto na própria carteira ou usar a solução custodial da GoMining, que oferece rendimento sobre o saldo durante a janela de liquidação e canal de saída para moeda fiduciária. Nos próximos meses, o protocolo deve ganhar terminal PoS dedicado, painel web, SDK para desenvolvedores e plugins para Shopify e WooCommerce.

